Moraes manda investigar cursos de Débora do Batom para reduzir pena

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 10/08/2026 18:40
Moraes manda investigar cursos de Débora do Batom para reduzir pena

Foto: via Gazeta do Povo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou um pente-fino em dois cursos feitos na prisão por Débora Rodrigues dos Santos, a Débora do Batom, antes de decidir se as atividades poderão ser usadas para reduzir sua pena.

Na mesma decisão, assinada na sexta-feira (7), o ministro manteve a prisão domiciliar da cabeleireira após concluir que falhas registradas no sinal de sua tornozeleira eletrônica não representaram descumprimento das medidas impostas a ela.

Moraes quer informações detalhadas sobre os cursos “Reescrevendo minha história: Marketing – TAR” e “Reescrevendo minha história: PLANEJ”, realizados por Débora enquanto ela estava no Centro de Ressocialização Feminino de Rio Claro, no interior de São Paulo.

O STF pediu documentos que comprovem desde a regularidade das capacitações até o que efetivamente foi estudado pela condenada.

Os cursos fazem parte de uma iniciativa voltada à preparação de presos para a vida profissional depois do cárcere.

O programa “Reescrevendo a minha história”, desenvolvido em parceria entre órgãos do sistema penitenciário paulista e o Sebrae-SP, oferece capacitações ligadas a empreendedorismo e gestão de pequenos negócios.

Entre os assuntos trabalhados estão planejamento, marketing, finanças e comportamento empreendedor.

A questão chegou ao STF porque Débora tenta transformar as horas dedicadas a essas atividades em remição de pena, mecanismo previsto na Lei de Execução Penal que permite descontar parte da condenação por estudo ou trabalho.

No caso das atividades educacionais, a legislação prevê, em determinadas condições, o abatimento de um dia da pena para cada 12 horas de frequência escolar.

Antes de reconhecer esse desconto, Moraes quer saber exatamente o que eram os cursos.

O ministro determinou que o Centro de Ressocialização de Rio Claro informe se havia autorização ou convênio da instituição responsável com o poder público, se as capacitações integravam o projeto político-pedagógico da unidade e qual era o conteúdo programático.

Também pediu atas de avaliações, notas e certificados assinados pelas autoridades competentes.

O prazo dado para o envio das informações foi de cinco dias.

Os cursos são só uma parte da conta apresentada pela defesa para tentar diminuir o tempo restante da condenação.

Em junho, a Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se favoravelmente ao reconhecimento de 212 dias de remição para Débora: quatro dias por leitura, 108 pelo trabalho realizado na prisão e outros 100 pela aprovação no Enem para Pessoas Privadas de Liberdade de 2023.

Na mesma decisão, Moraes aceitou a justificativa da defesa sobre as sucessivas interrupções do sinal da tornozeleira eletrônica de Débora do Batom.

Houve registros sem GPS em vários períodos entre abril e junho, e o ministro chegou a advertir que a prisão domiciliar poderia ser revogada.

O Núcleo de Monitoramento de Pessoas da Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo, porém, informou ao STF que não encontrou violações e que as ocorrências decorreram de reflexos e oscilações do próprio sinal de GPS.

Débora do Batom está em prisão domiciliar desde março de 2025.

Ela ganhou notoriedade nacional por escrever com batom a frase “Perdeu, mané” na estátua “A Justiça”, em frente ao STF, durante os atos de 8 de janeiro de 2023.

Foi condenada a 14 anos por cinco crimes, entre eles golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Sua defesa tenta desde o ano passado obter a progressão para o regime semiaberto e sustenta que, considerados os períodos de prisão e os dias que podem ser abatidos por trabalho e estudo, ela já teria cumprido o requisito necessário para a mudança de regime.

Com informacoes de Gazeta do Povo.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

Cobre o que o Brasil está buscando agora: famosos, esporte, tech, games e virais.