Mobilização da direita nas ruas e redes deve persistir e complicar governo futuro
A mobilização da direita nas ruas e nas redes permanece forte e deve complicar a agenda do próximo governo, independentemente do candidato vencedor.
Segundo Angela Alonso, pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), a estratégia da direita tem sido manter a presença nas manifestações e vender a ideia de prosperidade futura, enquanto a esquerda tem perdido contato com as ruas nos últimos anos.
Alonso descreve que, se Luiz Inácio Lula da Silva for eleito, ele precisará reorientar o governo e ao mesmo tempo contar com o apoio popular das ruas; caso Flávio Bolsonaro vença, o cenário pode ser de um governo de extrema‑direita ainda mais radical que o de seu pai, Jair Bolsonaro (PL), com tendência autoritária.
Em entrevista ao Valor Econômico, Alonso destacou que a disputa entre esquerda e direita nas ruas e nas redes se intensificou nos últimos ciclos de protesto, iniciando com manifestações conjuntas em 2013, seguida por predominância da direita em 2015, e sucessivas ocupações durante o processo de impeachment.
Durante o mandato de Jair Bolsonaro, a direita manteve presença constante nas ruas, usando símbolos nacionais, enquanto a pandemia reduziu a mobilização da esquerda; a direita, porém, não recuou, realizando pequenas manifestações como as do 7 de setembro e motociatas, além de forte atuação nas redes sociais.
No governo de Lula (terceiro mandato), não se observaram grandes concentrações de manifestantes de nenhum dos lados; a tentativa de golpe no início do mandato foi marcada por uma ação violenta da direita, porém com número limitado de participantes, e as mobilizações partidárias tradicionais ficaram menos evidentes.
Alonso apontou que a recente mobilização da esquerda liderada por André Janones não é um caso isolado; surgiram novas lideranças como Erika Hilton, que adotam táticas semelhantes às da direita – uso de hashtags, foco em uma pessoa ou evento e postagem simultânea de mensagens – porém sem recorrer a fake news.
A pesquisadora ainda observou que a esquerda está formando uma rede de pequenos movimentos, semelhantes a “fandoms”, sem uma liderança centralizada, mas com organização crescente nas redes e em eventos, indicando a emergência de uma nova geração de lideranças.
Com informacoes de Valor Econômico.

