Resultados do Pisa 2025 revelam déficit em leitura e matemática e pedem mobilização além de polêmicas
Os dados divulgados neste mês pelo Pisa 2025 indicam que 51% dos estudantes brasileiros não conseguem identificar a ideia principal de um texto de extensão moderada, situando‑se abaixo do nível básico em leitura. Em matemática, a situação é ainda mais crítica, com 72% dos alunos incapazes de comparar distâncias ou converter preços, conforme os critérios da avaliação.
O relatório também revela que a pontuação média brasileira em leitura passou de 407 pontos em 2015 para 408 pontos em 2025, praticamente sem avanço em uma década. Esse estancamento evidencia que os resultados ruins não geram a mobilização necessária para melhorar a qualidade da educação.
A economista Deborah Bizarria, especialista em gestão pública, ressalta que o debate nacional costuma se concentrar em questões como livros didáticos, apresentações ou até disputas sobre o uso de banheiros, desviando a atenção da efetiva compreensão dos conteúdos pelos estudantes. Segundo Bizarria, é preciso exigir que as crianças não apenas leiam, mas compreendam o que leem.
Organizações dedicadas ao diagnóstico educacional têm produzido estudos, proposto políticas e cobrado providências das autoridades, mas ainda convivem com um ritmo lento de aprendizagem. A participação de famílias de classe média e alta, que dispõem de mais recursos e acesso a tomadores de decisão, poderia intensificar a pressão por mudanças, porém, como aponta a pesquisadora Zeina Latif, o distanciamento desses grupos do ensino público enfraquece a mobilização em favor da qualidade nas escolas públicas.
Bizarria defende que esse engajamento precise se traduzir em pressão eleitoral, impondo custos políticos a quem utiliza polêmicas escolares sem promover melhorias concretas. Governantes e parlamentares devem ser responsabilizados pelas condições das escolas e pelos resultados de suas políticas, inclusive quando exigem trabalho além do mandato.
Sobre o financiamento, o percentual do PIB destinado à educação, isoladamente, não permite concluir se os recursos são suficientes. Bráulio Borges, no Blog do Ibre, destaca que comparações internacionais devem considerar gasto por estudante, etapa de ensino e poder de compra. Tanto a defesa de mais recursos quanto a exigência de melhor uso precisam indicar quais dificuldades se pretende resolver.
Quando uma avaliação aponta que os alunos leem, mas não compreendem um parágrafo, o diagnóstico deve orientar a formação docente e as atividades de leitura. Para isso, professores precisam de materiais adequados e tempo para planejamento e acompanhamento, a fim de verificar a aprendizagem efetiva. Cabe aos gestores garantir essas condições e corrigir medidas que não produzem os avanços esperados.
Com as eleições se aproximando, Bizarria enfatiza que a discussão sobre educação deve ir além das controvérsias superficiais, exigindo respostas concretas dos responsáveis e um compromisso real com a melhoria da aprendizagem nas escolas brasileiras.
Com informacoes de Folha de S.Paulo.

