Midterms nos EUA: Eleições de 3 de novembro testam força de Donald Trump

Por Rui Barbosa Oliveira em Rio Verde, GO 30/10/2026 05:58
Midterms nos EUA: Eleições de 3 de novembro testam força de Donald Trump

Foto: via Congresso em Foco

Os eleitores dos Estados Unidos comparecerão às urnas na próxima terça‑feira, 3 de novembro, para participar das eleições legislativas de meio de mandato, conhecidas como midterms, que podem alterar a maioria nas duas Casas do Congresso e limitar a aprovação de propostas da Casa Branca.

Essas eleições definirão a composição do Congresso americano para os dois últimos anos do segundo mandato do presidente Donald Trump, cujo poder político será testado diante da possibilidade de perda da maioria parlamentar do Partido Republicano. Os midterms ocorrem a cada quatro anos, exatamente na metade do mandato presidencial, e incluem a escolha dos integrantes da Câmara dos Representantes, parte do Senado, governadores e autoridades estaduais.

Embora o presidente não concorra diretamente, o desempenho de seu partido serve como indicador da aprovação popular ao governo e pode mudar o equilíbrio de poder em Washington D.C. Atualmente, os republicanos controlam, ainda que de forma apertada, as duas Casas do Congresso, condição que favoreceu a aprovação de propostas defendidas por Trump desde seu retorno à Casa Branca, em janeiro de 2025.

Na Câmara dos Representantes, equivalente à Câmara dos Deputados brasileira, todas as 435 cadeiras estarão em disputa. Cada deputado é eleito por mandato de dois anos, por voto direto em distrito eleitoral próprio. O partido que alcançar ao menos 218 cadeiras terá a maioria e poderá eleger o presidente da Casa, responsável pela condução dos trabalhos legislativos.

No Senado, serão disputadas 35 das 100 cadeiras: 33 previstas no calendário regular e duas decorrentes de eleições especiais para preencher vagas abertas. Os senadores cumprem mandatos de seis anos, com renovação de um terço da Casa a cada dois anos, e cada estado possui dois representantes, independentemente de sua população. Para controlar o Senado, os democratas precisam alcançar 51 cadeiras, já que o vice‑presidente JD Vance, republicano, tem o poder de desempatar votações.

Além das eleições federais, governadores serão escolhidos em 36 dos 50 estados, juntamente com representantes de legislativos estaduais e autoridades locais. A organização do processo eleitoral cabe a cada estado, que estabelece as regras de votação presencial, antecipada e pelo correio.

Os eleitos para o Congresso iniciarão seus mandatos em janeiro de 2027, quando terá início a nova legislatura.

Se os republicanos preservarem o controle da Câmara e do Senado, Trump poderá manter sua base de sustentação legislativa durante a segunda metade do mandato, permitindo ao partido continuar à frente das comissões parlamentares e facilitar a tramitação de propostas orçamentárias, tributárias e relacionadas à imigração. No Senado, os aliados do presidente também conservariam o controle sobre a aprovação de indicados para cargos no governo e no Judiciário.

Uma vitória democrata na Câmara, por outro lado, permitiria à oposição bloquear propostas do governo e ampliar sua influência nas negociações orçamentárias. O partido passaria a presidir comissões responsáveis pela fiscalização do Executivo, com poderes para convocar autoridades, requisitar documentos e abrir investigações sobre a administração federal. A Casa também poderia iniciar processos de impeachment, embora sua conclusão dependa de julgamento e condenação pelo Senado.

Uma mudança de maioria no Senado teria consequências adicionais para a Casa Branca, pois a Constituição americana exige a aprovação dessa Casa para a nomeação de ministros, embaixadores, juízes federais e integrantes da Suprema Corte. Com os democratas no comando, Trump enfrentaria maiores dificuldades para preencher esses postos e dependeria de acordos com a oposição para viabilizar suas indicações.

Mesmo diante de uma derrota nas duas Casas, Trump conservaria suas atribuições presidenciais, incluindo o poder de vetar projetos aprovados pelo Congresso e de editar ordens executivas dentro dos limites legais.

O resultado também influenciará a disputa presidencial de 2028, ao alterar a composição das lideranças partidárias e as condições políticas para a sucessão na Casa Branca.

"Bolsonaros devem ser deportados quando Trump se for", afirmou um deputado democrata, referindo‑se à possibilidade de ação contra membros da família Bolsonaro caso o presidente dos EUA deixe o cargo.

"Não vou me envolver", declarou Trump quando questionado sobre a alegação de Flávio Bolsonaro de ser presidente legítimo do Brasil. Não é a primeira vez que Trump comenta sobre a política brasileira; como já mostramos em cobertura anterior, ele já havia afirmado que aprovaria a ida de Flávio Bolsonaro aos EUA.

As pesquisas eleitorais mais recentes indicam vantagem do Partido Democrata na disputa pelo Congresso. Levantamento do instituto Ipsos, realizado entre 22 e 26 de outubro, mostrou que 53% dos eleitores com maior probabilidade de comparecer às urnas pretendem votar em candidatos democratas para a Câmara, contra 44% favoráveis aos republicanos, diferença de nove pontos percentuais.

Com informacoes de Congresso em Foco.

Rui Barbosa Oliveira

Sobre o Autor: Rui Barbosa Oliveira

Rui é a cobertura política do MOTNAF.NEWS com o pé firme na imparcialidade. Congresso, STF, Palácio do Planalto, decisões de governo, votações e o que muda de fato na vida do brasileiro. Ele explica os dois lados, traz o contexto e se apoia em fatos, sem opinião e sem tomar partido. E antes de publicar, confere a notícia nos maiores sites de política para não errar. Política séria, sem grito e sem torcida.