Mensagens indicam que governadora Celina Leão não ficou de fora de negociação entre BRB e Banco Master, afirma Daniel Vorcaro
Mensagens trocadas entre o ex‑banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e o empresário Thiago Miranda foram divulgadas após quebra de sigilo determinada pelo ministro do STF André Mendonça, no âmbito da investigação da operação Compliance Zero.
A troca ocorreu em 5 de abril de 2025, quando Ibaneis Rocha (MDB) ainda era governador do Distrito Federal e Celina Leão (PP) exercia a vice‑governadoria. Na época, estava em curso a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Na conversa, Thiago Miranda encaminhou a Vorcaro um link para uma reportagem publicada no mesmo dia no blog da jornalista Malu Gaspar, veiculada no jornal O Globo. A matéria citava que Celina Leão afirmara não ter sido consultada sobre a operação e que soube do assunto apenas pela imprensa.
Ao enviar o link, Miranda escreveu: “A Celina eu conheço MUITO BEM. Ela agora está querendo aparecer porque ficou de fora da negociação”. Vorcaro respondeu contestando a afirmação: “[Celina] Não ficou de fora, não. Isso aí é jogo para se preservar na política. Discussão política da operação não me preocupa, se esse for o novo foco. O problema é a descredibilização minha e do Master. Isso sim, temos que atacar”.
O conteúdo das mensagens foi revelado pela Folha de S.Paulo na terça‑feira, 15 de setembro, e teve sua autenticidade confirmada pelo g1 e pela TV Globo.
Em nota oficial, a assessoria da governadora do Distrito Federal afirmou que “não é verdade que a governadora Celina Leão tenha participado de qualquer tipo de negociação em torno da compra do Master pelo BRB”. O comunicado acrescentou que as declarações de Vorcaro “não levam a qualquer tipo de interpretação nesse sentido” e que “a governadora sempre foi contra a compra do Master pelo BRB, seis meses antes da deflagração da operação policial que levou à prisão de Daniel Vorcaro”.
Segundo a nota, logo após o anúncio do futuro negócio entre as duas instituições, em março de 2025, a então vice‑governadora manifestou oposição à operação, conforme registrado na matéria do O Globo de 5 de abril de 2025, onde declarou que não descartaria “a possibilidade de rever a operação assim que assumisse o cargo”.
A primeira fase da operação Compliance Zero teve início em novembro de 2025; desde então, Celina Leão tem reiterado que não mantém relações com Daniel Vorcaro, o Banco Master ou a tentativa de compra pelo BRB. Na própria reportagem citada na troca de mensagens, a governadora afirmou que soube da operação apenas pela imprensa.
Em entrevista ao DF1, concedida na mesma terça‑feira (15), Celina Leão reforçou que seu papel como vice‑governadora era “muito restrito a uma representação política e cumprimento de agendas”. Ela acrescentou que, na época, “sobre essa situação do BRB, o que se falava era que seria bom para o governo, que o banco seria nacionalizado – algo de que eu discordei desde o primeiro momento e fui a público discordar”.
A governadora também declarou ter problema pessoal com o ex‑presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que foi preso em novembro de 2025 sob acusação de promover compras fraudulentas para obter vantagens pessoais. A Polícia Federal informou que gestores do BRB não foram vítimas das práticas investigadas.
O relatório da PF que contém a mensagem sobre Celina Leão descreve tentativas de assédio e de investigação contra a jornalista Malu Gaspar, colunista do O Globo e comentarista da GloboNews. De acordo com o documento, o empresário Thiago Miranda teria desempenhado papel central no recrutamento de influenciadores para práticas de assédio e no pagamento a esses indivíduos.
O relatório ainda aponta que as reportagens da jornalista sobre supostas irregularidades do Banco Master eram monitoradas constantemente por Vorcaro e pelos investigados, que “discutiam os questionamentos encaminhados pela equipe da jornalista e avaliavam possíveis estratégias para lidar com a cobertura jornalística considerada desfavorável”.
Com informacoes de G1.

