Lula e Flávio Bolsonaro prometem transformar riquezas naturais em prosperidade, mas por caminhos opostos

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 18/10/2026 22:00
Lula e Flávio Bolsonaro prometem transformar riquezas naturais em prosperidade, mas por caminhos opostos

Foto: via Estadão

O Brasil se aproxima da escolha de seu próximo presidente em um momento em que a economia mundial se reorganiza em torno de grandes interesses estratégicos. A mídia tem apontado o país como peça importante no tabuleiro de Donald Trump. Em um ambiente marcado por choques econômicos que devem continuar, tudo indica que as grandes potências seguirão impondo seus interesses na ordem internacional.

O país entra nesse jogo com vantagens consideráveis. Possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, uma matriz elétrica renovável e recursos agrícolas, minerais e energéticos cobiçados internacionalmente. Esses ativos podem ganhar ainda mais valor com a transição energética e a expansão das novas tecnologias.

Na reta final da corrida eleitoral, chama a atenção que os dois candidatos dediquem mais tempo à troca de acusações do que à discussão de propostas sobre como inserir o Brasil nesse ambiente de alta incerteza. De forma resumida, as duas propostas são quase antagônicas.

O presidente Lula aposta na diversificação das relações internacionais e na atuação do Estado para transformar as riquezas naturais em desenvolvimento industrial, enfrentando os desafios da eficiência e das restrições fiscais. Já Flávio Bolsonaro privilegia a aproximação com os Estados Unidos e o investimento privado, buscando capital e tecnologia, mas com o risco de reduzir a autonomia brasileira e seu poder de negociação diante das grandes potências.

O Brasil precisa de capital, tecnologia e acesso a mercados para transformar suas riquezas naturais em produtos de maior valor agregado. No entanto, os interesses não são necessariamente coincidentes. Para os Estados Unidos, pode bastar garantir o fornecimento de minerais estratégicos e reduzir sua dependência da China. Para o Brasil, interessa também processar esses minerais, desenvolver tecnologia, criar empregos qualificados e preservar outros mercados. Conciliar esses objetivos exige contrapartidas concretas, que não estão asseguradas pela simples aproximação política.

O desafio econômico do próximo governo, portanto, não será apenas atrair investimentos estrangeiros. Será garantir que a nova disputa mundial por recursos estratégicos se traduza em maior produtividade, desenvolvimento tecnológico e renda para os brasileiros.

Lula e Bolsonaro prometem transformar as riquezas naturais do país em prosperidade. Mas ter recursos estratégicos não basta: é preciso saber negociá-los, agregar valor e garantir que os benefícios permaneçam no país. Até agora, entre propostas e políticas anunciadas, faltam demonstrações convincentes de como alcançar esses resultados. O Brasil tem o que o mundo quer, e cabe aos candidatos demonstrar como essa riqueza poderá trabalhar a favor dos brasileiros.

Com informacoes de Estadão.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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