Luiz Barsi alerta sobre Banco do Brasil e analisa prós e contras de BBAS3

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 02/09/2026 13:20
Luiz Barsi alerta sobre Banco do Brasil e analisa prós e contras de BBAS3

Foto: via Estadão

A cautela em relação ao Banco do Brasil ganhou força no mercado em 2025, quando os problemas na carteira de crédito do agronegócio se tornaram mais evidentes nos balanços, gerando divisão entre investidores nas redes sociais: alguns viam o preço das ações como atrativo, enquanto outros expressavam maior preocupação com o ativo.

Em entrevista recente ao canal Primo Rico, no YouTube, o megainvestidor Luiz Barsi se posicionou sobre a empresa e afirmou: "Hoje eu não compraria mais Banco do Brasil enquanto nós estivermos em um governo de esquerda. Esta é uma opinião muito pessoal. Eu olho para os resultados".

Barsi reconheceu, porém, que o Banco do Brasil opera com desconto, já que a ação BBAS3 negocia abaixo do seu valor patrimonial, e acrescentou que não é a única empresa em situação semelhante na Bolsa.

O investidor ainda citou outros papéis do setor financeiro que considera mais atrativos no momento, como Banco BMG (BMGB4) e Banrisul (BRSR6).

Analistas consultados pelo E‑Investidor apontam fatores favoráveis e desfavoráveis ao BBAS3. Entre os pontos positivos, destaca‑se o preço próximo a R$ 20, refletindo o desconto mencionado por Barsi. Em 2026, a ação já havia caído 7,55% na Bolsa, sendo a queda maior no setor financeiro apenas a do Santander (SANB11), que registrou queda de 9,16%.

Nas sessões recentes, os papéis do Banco do Brasil tentaram reagir, chegando a subir mais de 5% no dia 25 de agosto, quando foram registradas mais de 43 mil operações e R$ 629 milhões em giro financeiro na B3, impulsionadas por interesse de quatro bancos estrangeiros: UBS, Goldman Sachs, Morgan Stanley e JPMorgan.

Na sequência, o Banco do Brasil voltou a subir e registrou alta superior a 3% hoje, movimento explicado, segundo Lucas Xavier, head da mesa de renda variável e sócio da AW Capital, pela busca de valorização no longo prazo decorrente do preço descontado da ação.

Xavier alertou que esse ganho pode demorar mais tempo para se concretizar do que os investidores esperam, devido às turbulências que o banco vem enfrentando, e que investir em BB hoje significa apostar na capacidade da empresa de superar seus problemas sem prazo definido.

Ele ainda descreveu o Banco do Brasil como "alternativa arrojada de investimento em um setor que comumente é conhecido por ser mais defensivo".

Em relação aos dividendos, o banco reduziu, no último ano, seu payout para 30%, frente à faixa anterior de 40% a 45%, e disponibilizou as datas de pagamento dos proventos em 2026.

Para Xavier, o Itaú (ITUB4) apresenta risco mais controlado e bons dividendos, pois paga juros sobre capital próprio (JCP) mensais além de dividendos complementares ao longo do ano.

Apesar do preço descontado, analistas apontam desafios ao BB. O Banco do Brasil encerrou o segundo trimestre de 2026 com Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) de 8,3%, o menor entre os grandes bancos brasileiros listados.

Bruno Schmidt, sócio da GT Capital, explicou que esse ROE indica menor geração de lucro por real de patrimônio, limitando a capacidade de reinvestimento e distribuição de dividendos maiores.

Schmidt ressaltou ainda o risco político‑institucional inerente a uma estatal, destacando que decisões sobre política de crédito e dividendos podem estar sujeitas a pressões que fogem da lógica puramente de mercado.

Outro fator de peso é o cenário desafiador para o agronegócio: no segundo trimestre, a inadimplência no agro praticamente dobrou, atingindo 6,27%, contra 3,16% no mesmo período do ano anterior.

Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank, apontou que ainda não há sinais de melhora na carteira do agro e que o fenômeno climático El Niño pode agravar a inadimplência dos produtores rurais nos próximos meses.

Bresciani considera as ações do Banco do Brasil "baratas", mas alerta que podem ficar ainda mais "baratas" se a situação de inadimplência não se reverter, enfatizando a necessidade de um horizonte maior de previsibilidade.

O BTG recomenda cautela com a ação do Banco do Brasil e trabalha com a possibilidade de revisão para baixo do guidance divulgado no início do ano, que estimava lucro entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões em 2026, afirmando que "um ajuste para baixo é apenas uma questão de tempo".

Com informacoes de Estadão.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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