Ministro de Bukele classifica denúncias de direitos humanos como manipulação durante palestra no Brasil
O ministro salvadorenho da Segurança Pública e Justiça, Gustavo Villatoro, apresentou nesta segunda-feira (31) o modelo de segurança adotado por El Salvador em evento promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) na capital paulista, classificando as denúncias de violações aos direitos humanos como "manipulação".
Durante a palestra, Villatoro defendeu a implementação do Estado de Exceção como ferramenta constitucional para declarar guerra a grupos criminosos organizados, afirmando que "um estado de exceção é simplesmente a ferramenta constitucional que usamos para declarar guerra a um estado criminoso paralelo" e que "é sabido que um estado de emergência ou um estado de exceção não tem soluções prontas".
O modelo de segurança de El Salvador, implementado após o presidente Nayib Bukele decretar Estado de Exceção, tem sido alvo de críticas internacionais: prisões são realizadas sem mandados ou provas, baseadas em denúncias anônimas, e o Estado de Exceção foi prorrogado por mais de 50 vezes. Entidades de direitos humanos denunciam julgamentos coletivos, perseguição a opositores do governo e restrição à livre atividade da imprensa.
Ao responder às acusações de que El Salvador seria uma ditadura, Villatoro afirmou que todas as medidas foram tomadas com base na vontade popular, rotulou os defensores de direitos humanos de "hipócritas" e recebeu três aplausos da plateia, culminando em um aplauso de pé ao final da sua fala.
Villatoro declarou que mais de 80 mil criminosos foram responsabilizados individualmente e condenados em El Salvador, apesar das denúncias de julgamentos coletivos e prisões sem provas.
A transmissão do evento no YouTube teve o áudio parcialmente interrompido durante a fala de Villatoro e durante a exibição de um vídeo institucional do governo de El Salvador; as imagens desse vídeo não foram disponibilizadas online, e um aviso justificou a interrupção por "questões relacionadas aos direitos autorais".
O ministro qualificou as ações de seu país como "milagre" e "não só obra de um homem, mas de Deus", acrescentando que "Deus nos deu essa oportunidade e colocou o país nas mãos de um homem que ama El Salvador e vai fazer todo o necessário para que finalmente possamos sair dessa pobreza".
Ao final da apresentação, Paulo Skaf, presidente da FIESP, destacou a aprovação das medidas de segurança de Bukele, ressaltando que o presidente possui 90% de apoio popular e que os direitos humanos dos 90% que apoiam o governo devem ser respeitados, questionando a relevância de discutir direitos humanos de forma distante.
O Congresso de Segurança Pública da FIESP contou com a participação de candidatos às eleições de 2026, incluindo a vice‑presidência da chapa de Flávio Bolsonaro (PL) com Alfredo Gaspar (PL), a candidatura ao governo do Paraná de Sergio Moro (PL) e a candidatura ao Senado por São Paulo de Guilherme Derrite (PP).
Sergio Moro, após a palestra, afirmou que o ministro inspirava "muitos sonhos de segurança pública" no Brasil e prometeu, se eleito, construir um presídio de segurança máxima no Paraná, que seria batizado de "El Salvador".
No domingo (30), Flávio Bolsonaro se reuniu com Villatoro e defendeu a ampliação da população carcerária no Brasil, que já conta com quase 1 milhão de presos, alegando que "tem pouco preso no Brasil, tinha que ter mais" e que a legislação atual é "frouxa". O senador propôs criar mais de meio milhão de vagas em presídios, garantindo que ladrões de celular e de comércio cumpram no mínimo oito anos de cadeia.
Em sua argumentação, Bolsonaro ignorou o regime permanente de exceção em El Salvador, no qual garantias constitucionais da população foram suprimidas.
Com informacoes de G1.

