Lito Sousa morre de pneumonia; entenda a ligação com a doença rara de Creutzfeldt-Jakob
Em entrevista ao podcast "Inteligência Ltda.", Mila relatou que seu marido, Lito Sousa, perdeu progressivamente os movimentos, chegando a não conseguir movimentar braços e pernas nem sustentar o próprio tronco.
Nos últimos dias, ele também apresentou dificuldades respiratórias e recebeu o diagnóstico de pneumonia, que culminou em seu falecimento em 1º de outubro, após receber cuidados paliativos em casa.
A doença de Creutzfeldt-Jakob, que Lito enfrentava, é causada por príons – proteínas anormais que provocam danos progressivos no sistema nervoso, comprometendo memória, coordenação motora, fala e a capacidade de realizar atividades cotidianas, além de, em estágios avançados, afetar funções essenciais para a alimentação e a respiração.
Em estágios avançados de algumas doenças neurológicas, a dificuldade para engolir pode comprometer os mecanismos de proteção das vias respiratórias, permitindo que saliva, líquidos ou alimentos alcancem os pulmões em vez de seguirem pelo trato digestivo. Esse processo, conhecido como aspiração, pode provocar pneumonia aspirativa. A perda de mobilidade também dificulta a eliminação de secreções, favorecendo complicações respiratórias.
Não há informações públicas suficientes para afirmar que a pneumonia de Lito tenha sido provocada especificamente por aspiração.
A pneumologista Adriana Carvalho, fundadora do Instituto Brisa em Uberlândia (MG), destacou que infecções pulmonares podem evoluir de forma mais delicada em pacientes com limitações físicas e neurológicas. Ela apontou febre, tosse, falta de ar, respiração acelerada e redução da oxigenação como sinais que merecem atenção, ressaltando que, em pacientes muito debilitados, as manifestações nem sempre seguem o padrão mais conhecido.
A família optou por não submeter Lito à intubação durante o agravamento do quadro, respeitando a vontade prévia dele de não passar por procedimentos invasivos para prolongar a vida em situação considerada irreversível. A equipe responsável priorizou o conforto e o controle dos sintomas.
Os cuidados paliativos, voltados à qualidade de vida de pessoas com doenças graves, focam no alívio do sofrimento e nas necessidades físicas e emocionais do paciente e de seus familiares, não se limitando ao tratamento da doença de base, mas incluindo decisões sobre intervenções médicas, conforto e suporte familiar.
O neurocirurgião Leandro Miranda Macedo orienta: "Precisamos compreender que o tratamento não se resume à prescrição de um medicamento. O cuidado envolve a segurança do paciente, a manutenção das capacidades funcionais e o suporte à família. Cada pessoa apresenta necessidades diferentes, e o acompanhamento deve ser individualizado".
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Com informacoes de O GLOBO.

