Série de Carrie de Mike Flanagan traz conflitos atuais e personagens complexos ao Prime Video

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 11/10/2026 23:40
Série de Carrie de Mike Flanagan traz conflitos atuais e personagens complexos ao Prime Video

Foto: via Omelete

A produção de Carrie, dirigida por Mike Flanagan e disponibilizada no Prime Video na última quarta‑feira (dia 7), apresenta uma releitura da obra clássica de Stephen King, aproveitando a extensão de episódios para aprofundar a psicologia dos personagens e inserir questões contemporâneas.

Ao comparar a série com o filme de 1976, de Brian De Palma, o autor da matéria relata que, embora o longa tenha marcado sua primeira experiência com a história, sentiu falta de sutileza e considerou o tom excessivamente melancólico e expressionista, típico do gênero terror. A versão em série, por sua vez, permite um ritmo mais pausado, favorecendo a construção gradual até o clímax no baile, que deixa de ser um evento isolado de terror para se tornar a culminação de todas as tensões acumuladas ao longo da narrativa.

Além do elemento sobrenatural – os poderes telecinéticos de Carrie – a nova produção utiliza a trama como ponto de partida para discussões ampliadas sobre família, isolamento, sexualidade, violência, relações de poder e exclusão social, mantendo a essência que tornou a obra de King tão impactante.

Um dos primeiros pontos de reflexão da série é a possibilidade de o lar ser tão perigoso quanto o mundo exterior. A personagem Margaret, interpretada por Samantha Sloyan, encarna um controle obsessivo que impede a filha de ter contato com outras pessoas e de desenvolver sua própria identidade, refletindo um trauma familiar transmitido por uma visão de mundo fanática. Esse abuso emocional se manifesta na forma como Carrie, vivida por Summer H. Howell, percebe seu corpo, sua sexualidade, sua religião e seus sentimentos.

Summer H. Howell entrega uma Carrie que combina ingenuidade e sensibilidade com uma observação aguçada, evitando que a adolescente pareça meramente passiva. Ela busca compreender um mundo do qual foi deliberadamente afastada, mostrando que a personagem tenta ativamente interpretar sua realidade.

Em contraponto, a série apresenta Chris Hargensen, interpretada por Alison Thornton, cuja família demonstra permissividade e ausência de limites. Embora o ambiente de Chris seja diferente do de Carrie, ele não é necessariamente mais saudável, reforçando a escolha da adaptação de não cair no maniqueísmo ao classificar personagens como totalmente boas ou más.

Essa abordagem equilibrada, ao revelar as motivações e contextos de ambos os lados, permite ao espectador entender que atos de violência podem surgir de relações complexas, sem justificá‑los, mas contextualizando‑os dentro de dinâmicas familiares e sociais.

Com informacoes de Omelete.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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