Juíza veta projeto de 'Arco do Triunfo' de Trump menos de uma hora após aprovação da NCPC
Em decisão de 33 páginas, a juíza federal Tanya Chutkan determinou que o monumento proposto por Donald Trump, inspirado no Arco do Triunfo de Paris, necessita de autorização prévia do Congresso e pode gerar custos para o estado da Virgínia e o Distrito de Columbia, além de comprometer o fluxo de trânsito no Cemitério Nacional de Arlington, um dos locais mais visitados da região.
A juíza também contestou o argumento do governo de que a estrutura ajudaria a proteger a capital contra ataques de drones, afirmando que "essas alegações recentes e sem fundamento sobre aspectos de segurança de uma estrutura discutida extensamente ao longo do último ano não aparecem em nenhum dos documentos de planejamento com base nos quais o projeto foi analisado e aprovado".
A Comissão Nacional de Planejamento da Capital (NCPC) aprovou o projeto por 8 votos a 4 depois de mais de oito horas de audiência virtual. Mais de 120 pessoas, muitas delas veteranos de guerra, se inscreveram para solicitar que o arco fosse barrado. A votação dividiu os integrantes ligados ao governo federal, que apoiaram o projeto, e os representantes da cidade de Washington, que votaram contra.
A aprovação era a última etapa de análise, e o governo havia informado ao tribunal que as obras poderiam começar no mesmo dia. Os quatro comissários contrários pediram o adiamento da votação, citando questões jurídicas, a falta de verbas aprovadas pelo Congresso e dúvidas sobre as declarações do secretário de Defesa, Pete Hegseth, a respeito do uso militar do arco.
O vice‑presidente da comissão, Stuart Levenbach, nomeado por Trump, defendeu a votação imediata. A principal crítica recai sobre a localização da estrutura, ao lado do Cemitério Nacional de Arlington, onde estão enterrados centenas de milhares de militares americanos. O arco seria muito mais alto que o Arco do Triunfo de Paris, no qual se inspira, e ficaria acima do Memorial Lincoln, do outro lado do rio Potomac.
Não está claro quanto o projeto vai custar nem como será pago, mas algumas estimativas chegam a US$ 100 milhões (mais de R$ 500 milhões, na cotação atual).
Após a derrota nas eleições, republicanos se voltam contra o secretário de Defesa, e a Câmara pode votar o impeachment de Pete Hegseth. Na abertura da reunião, o presidente da comissão, Mark Paoletta, nomeado por Trump, elogiou o projeto, afirmando: "O presidente Trump entende, como presidente e como construtor excepcional, que é importante para a nossa identidade nacional mostrar quem somos por meio de grandes monumentos. Também representaria uma oportunidade de segurança geracional para proteger a capital do país."
Os opositores chamam o arco de "projeto de vaidade". Em outubro do ano passado, quando o projeto foi apresentado, Trump foi questionado sobre para quem seria o arco; ele apontou para si mesmo e respondeu "eu". Mais tarde, passou a dizer que o monumento celebraria os 250 anos da Independência, o espírito americano e as Forças Armadas, e que poderia abrigar drones e munição, componentes militares que não constam dos planos finais submetidos à comissão.
O deputado democrata Jared Huffman, que deve presidir a Comissão de Recursos Naturais da Câmara, responsável por fiscalizar o Serviço Nacional de Parques, declarou: "A festa do Grande Gatsby acabou. O arco é um projeto ilegal. É uma monstruosidade. É um tapa na cara dos veteranos e na história e na estética deste lugar sagrado."
O caso nas mãos da juíza Chutkan reúne duas ações judiciais: uma aberta em fevereiro por um grupo de veteranos, alegando que a solenidade do cemitério seria prejudicada; e outra apresentada na semana passada pelo Distrito de Columbia e pela Virgínia, apontando congestionamentos, prejuízos ao atendimento de emergências, riscos ambientais e outras ameaças decorrentes da construção do arco.
Com informacoes de O GLOBO.

