Operação Vérnix investiga esquema de lavagem de dinheiro envolvendo PCC, Marcola e influenciadora Deolane Bezerra

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 06/11/2026 11:30
Operação Vérnix investiga esquema de lavagem de dinheiro envolvendo PCC, Marcola e influenciadora Deolane Bezerra

Foto: via Metrópoles

A Operação Vérnix, conduzida pela Polícia Civil de São Paulo, tem como objetivo apurar um suposto esquema de ocultação de bens e lavagem de dinheiro que envolveria o Primeiro Comando da Capital (PCC) e a influenciadora digital Deolane Bezerra.

A investigação teve origem em 2019, quando policiais penais apreenderam bilhetes escritos por detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau. Os recados continham referências à dinâmica interna da facção, à atuação de suas lideranças e a possíveis planejamentos de ataques contra agentes públicos.

Com base nesses indícios, os investigadores identificaram uma transportadora de cargas situada em Presidente Venceslau, que passou a ser reconhecida judicialmente como instrumento utilizado pelo crime organizado para a lavagem de recursos. Essa descoberta deu início à segunda fase da operação, batizada de Lado a Lado.

Durante a fase Lado a Lado, foram constatados movimentações financeiras incompatíveis com a origem declarada, crescimento patrimonial sem lastro econômico suficiente e a utilização da transportadora como braço financeiro do PCC. Autoridades apreenderam um celular e analisaram trocas de mensagens que revelaram indícios de repasses financeiros à influenciadora Deolane Bezerra, bem como vínculos pessoais e comerciais dela com um dos gestores fantasmas da referida transportadora.

Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), o esquema seria sofisticado, recorrendo a empresas e terceiros para movimentar recursos atribuídos à facção criminosa. A transportadora de cargas teria sido empregada para lavar dinheiro da família de Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola.

Os investigadores descrevem a organização criminosa em três núcleos: Decisório – formado por Marco Willians Herbas Camacho (Marcola) e seu irmão Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior; Operacional – composto por Everton de Sousa, conhecido como “Player”, e Paloma Sanches Herbas Camanho, sobrinha de Marcola; Financeiro – integrado por Deolane Bezerra e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, também sobrinho de Marcola.

Além de Marcola e seu irmão, a operação aponta como investigados Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, Paloma Sanches Herbas Camanho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, Everton de Sousa (Player) e a influenciadora Deolane Bezerra, que foi presa em maio deste ano.

Na última terça‑feira, 4 de novembro, o advogado Bruno Ferullo, que representa a família Camacho, protocolou resposta ao MPSP contestando as acusações. Ferullo sustenta que os elementos apresentados são insuficientes para comprovar responsabilidade penal e afirma que a inclusão de Marcola na operação decorreu exclusivamente de um suposto apelido, “Narigudo”, atribuído de forma equivocada em conversas interceptadas.

José Albino Neto, advogado de Everton de Sousa (Player), também alegou irregularidades nas investigações que culminaram na Operação Vérnix. Ambos os defensores negam as imputações e pedem a revisão das provas.

A coluna de Mirelle Pinheiro, que acompanha o caso, destacou o protocolo de defesa apresentado em 4/11 e reforçou as alegações de insuficiência probatória e de possíveis falhas processuais na condução da operação.

As autoridades continuam analisando o material recolhido, mantendo a tese de que o esquema de lavagem de dinheiro seria estruturado de forma complexa, envolvendo empresas de fachada, terceiros e a própria rede de transporte de cargas para movimentar recursos do PCC.

Com informacoes de Metrópoles.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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