José Desidério comemora quase 65 anos de carreira no rádio e ainda quer transmitir o fim do mundo
José Desidério, nascido em Conchas (SP) e atualmente com 83 anos, comemora quase 65 anos de atuação no rádio, mantendo-se em plena atividade e declarando que o meio é a razão de sua existência.
Ele iniciou sua jornada profissional em 1962, quando foi contratado pela Rádio Vanguarda, em Sorocaba (SP), cidade que escolheu para viver após receber, de seu pai, 6 mil cruzeiros – equivalente a cerca de R$ 600 hoje – para custear a pensão. Partiu para São Paulo carregando apenas uma maleta e poucas roupas; ao chegar ao trem em Sorocaba, ficou na casa do cunhado de seu irmão e, incentivado por ele, visitou as três emissoras locais – Vanguarda, Cacique e Clube – antes de ser aprovado após um teste.
Desidério afirma que a paixão pelo rádio começou aos seis anos, quando escutava narradores de futebol e passou a imitá‑los. Aos 14 anos, como leitor assíduo da “Gazeta Esportiva”, enviou uma carta ao editor‑chefe Thomaz Mazzoni, que a publicou e o convidou a conhecer a redação do jornal. Lá recebeu livros do próprio editor, experiência que reforçou seu desejo de se tornar locutor esportivo.
Na Vanguarda, apresentou-se ao diretor de esportes Ferraz Filho, declarando saber comentar partidas apesar de nunca ter trabalhado em rádio. Ferraz o encaminhou ao colega Joaquim Loureiro para cobrir o treino do Estrada e, no dia seguinte, o introduziu ao vivo como novo contratado.
Na segunda jornada, Ferraz faltou e Desidério assumiu a condução dos programas “São Bento em Marcha” e “Expressinho Tricolor”, este último permanecendo sob sua responsabilidade. A primeira transmissão esportiva oficial ocorreu quando Salomão Pavlovsky, fundador da emissora, informou que Ferraz não poderia narrar o amistoso noturno do São Bento. Desidério, que trabalhava à noite na Companhia Nacional de Estamparia para pagar a pensão, realizou a cobertura, faltou ao emprego e só evitou a demissão ao contar a verdade ao gerente, torcedor do São Bento que ouviu a transmissão.
Depois desse episódio, o radialista abandonou o trabalho na estamparia para se dedicar exclusivamente ao rádio.
Ao longo da carreira, Desidério passou por diversas emissoras, cobriu a Copa do Mundo de 1978 e entrevistou Pelé, recebendo o autógrafo do ídolo. Em outubro de 1975, revelou ao apresentador Silvio Santos a concessão de seu primeiro canal de TV, anúncio feito ao vivo durante um programa.
Na celebração do Dia do Radialista, em 7 de novembro, ele reiterou seu vínculo com o meio ao dizer: “Eu almoço rádio, durmo rádio, rezo rádio. O rádio é tudo. É minha vida e razão de ser. E quero transmitir o fim do mundo também. É de rádio? Então, estou aí.”
Com informacoes de G1.

