James Webb detecta vestígios vítreos de colisões catastróficas entre mundos do tamanho de Marte
Um estudo publicado em 1º de outubro de 2026 no The Astrophysical Journal, liderado por Kate Y. L. Su do Space Science Institute em Boulder, Colorado, analisou espectros no infravermelho médio de 21 discos de detritos extremos (EDDs), dos quais 16 foram observados pelo Telescópio Espacial James Webb e cinco contavam com dados de arquivo do antigo Telescópio Espacial Spitzer.
Os EDDs representam uma categoria rara, presente em cerca de 1% das estrelas jovens que abrigam discos de idade semelhante. Esses discos reemitem mais de 1% da luminosidade da estrela em radiação infravermelha, com poeira quente a algumas centenas de kelvin localizada na zona de formação de planetas rochosos, a distâncias comparáveis à órbita terrestre.
A assinatura química detectada indica que a poeira é rica em sílica, proveniente de colisões entre corpos do tamanho de Marte que se aproximam a dezenas de quilômetros por segundo. O impacto funde e vaporiza rochas, liberando uma nuvem incandescente de silício, magnésio, ferro e oxigênio que, ao esfriar, condensa em gotículas microscópicas de vidro. Essa fumaça mineral permanece em órbita, aquecida pela estrela, e brilha no infravermelho como um farol.
Os autores observaram que a luminosidade desses discos varia de forma errática em escalas de meses a anos, comportamento distinto dos discos de detritos comuns, cujas colisões são mais constantes. Essa variabilidade reforça a interpretação de que os EDDs são indicadores de catástrofes recentes, semelhantes aos eventos que moldaram o nosso próprio Sistema Solar, como a formação da Lua a partir da colisão entre a proto-Terra e um corpo marciano há cerca de 4,5 bilhões de anos.
A amostra analisada constitui a maior já examinada com espectroscopia de alta qualidade. Dos 16 discos observados com o MIRI do Webb no modo de espectrômetro de média resolução, 12 receberam, pela primeira vez, espectro completo entre 4,9 e 27,9 micrômetros. As observações foram realizadas em três programas do Webb, dois dos quais ainda não foram detalhados na publicação.
O estudo contou com a colaboração de pesquisadores do Observatório Konkoly em Budapeste, da Universidade do Arizona, da Universidade de Towson, da Universidade de Viena e da Universidade de Wisconsin‑Madison. Entre os nomes de destaque estão George Rieke, pioneiro da astronomia infravermelha e líder do instrumento MIRI, e Renu Malhotra, referência em dinâmica planetária.
Vale lembrar que, como já relatamos em nossa cobertura de 03/10, o James Webb tem revelado fenômenos extraordinários, como a lente gravitacional em MACS J0454.1‑0300, e continua a expandir nosso entendimento dos processos de formação planetária.
Com informacoes de Space Today.

