Itamaraty acusa Milei de ingerência externa após nova provocação a Lula nas redes
O presidente da Argentina, Javier Milei, insinuou nesta terça-feira (20) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderia tentar fraudar o segundo turno das eleições brasileiras, marcado para domingo (25). Nas suas redes sociais, o argentino voltou a chamar Lula de ladrão e levantou suspeitas sobre a votação, além de referir-se a ele como "esquerdista ladrão".
Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) acusou Milei de ingerência externa no processo eleitoral brasileiro. Em nota oficial, o Itamaraty afirmou que "as ofensas de hoje do Presidente da República Argentina ao Brasil, desta vez dirigidas ao Poder Judiciário e ao sistema de voto eletrônico, constituem nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro".
A pasta também afirmou que Milei reproduziu informações falsas sobre o pleito difundidas após a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. "Essa antidemocrática manifestação é inaceitável, desequilibrada, e não condiz com a postura que deve ter o chefe de Estado de um país amigo", acrescentou o MRE.
O ministério defendeu a segurança das urnas eletrônicas brasileiras e citou a presença de observadores internacionais no primeiro turno. "A decisão sobre o futuro do Brasil cabe exclusivamente ao povo brasileiro, que se manifestará livremente nas urnas, e sem qualquer tipo de ingerência externa, no domingo, dia 25", concluiu a nota.
Esta foi a segunda provocação de Milei a Lula nas redes sociais nesta semana. Na segunda-feira (19), o argentino publicou uma montagem em resposta às críticas feitas pelo presidente brasileiro durante o debate com Flávio Bolsonaro (PL) na Band, realizado no domingo (18). Na imagem, Flávio aparecia ao lado de Milei em um cenário ensolarado, enquanto Lula era retratado próximo a líderes latino-americanos de esquerda, em um ambiente sombrio. Entre os políticos representados estavam o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, e a ex-presidente argentina Cristina Kirchner.
A publicação ocorreu após Lula questionar Flávio sobre sua proximidade com Milei e a possibilidade de adotar no Brasil o programa econômico do presidente argentino. Durante o debate, o petista criticou a política de cortes de gastos implementada na Argentina e perguntou ao adversário se pretendia reproduzir o modelo no país.
Segundo a reportagem, a pesquisa do Instituto França aponta Flávio Bolsonaro com 50,8% contra 49,2% de Lula.
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Com informacoes de Congresso em Foco.

