Flávio Bolsonaro repete propostas de Lula e promete corte de R$200 bi em gastos, mas detalhes geram dúvidas
Em recente debate na Band, Flávio Bolsonaro afirmou que adotará medidas semelhantes às propostas de Luiz Inácio Lula da Silva, mas com alcance ainda maior, ao prometer ao mercado financeiro um corte de gastos de R$200 bilhões no primeiro ano de governo.
O candidato destacou que pretende comprar carteiras de dívida, seguindo a linha do programa de Lula que contempla a aquisição de dívidas bancárias e não bancárias com valor original de até R$10 mil, referentes a créditos com vencimento entre dois e quatro anos e meio. Segundo o plano, o Tesouro realizaria leilão para que credores oferecessem descontos, exigindo ao menos 90% de abatimento, o que geraria um universo de dívidas estimado em R$150 bilhões e custo total aproximado de R$15 bilhões.
Flávio Bolsonaro, no entanto, acrescentou que sua proposta iria além da compra: ele anunciaria o congelamento da dívida remanescente, garantindo que “você não vai pagar nenhum boleto por seis meses; para pessoa jurídica, o prazo seria de um ano sem pagamentos”. Segundo ele, a parcela que antes era de R$100‑R$200 passaria a ser de R$20‑R$30, com refinanciamento pela Caixa.
A análise aponta que a proposta carece de parâmetros claros, pois não define valores nem prazos concretos. O total de dívida em atraso no país chega a R$592 bilhões, abrangendo 84 milhões de devedores, o que torna a promessa de congelamento indefinido e potencialmente ilimitado.
Em relação ao corte de R$200 bilhões, Flávio Bolsonaro atribui a economia ao recorte de supersalários, medida que o governo Lula tentou implementar, mas que foi rejeitada pelo Congresso. O Judiciário, ao intervir, acabou elevando o teto de gastos, dificultando a realização de reduções significativas. Mesmo considerando limites anteriores, a economia real não alcançaria nem 10% do valor anunciado.
Durante o debate, o candidato também afirmou que a simples mudança de turno nas eleições teria causado queda de 2% nas taxas de juros futuros e que, com a dívida pública atual de R$11 trilhões, sua gestão abriria “um espaço no orçamento de R$200 bilhões” para auxiliar o pagamento das dívidas dos cidadãos.
Especialistas classificam a combinação de compra de dívida, congelamento e refinanciamento como “heresia econômica”, pois utiliza supostos ganhos de redução de dívida pública para ampliar gastos, algo que seria duramente criticado nos círculos da Faria Lima. A estratégia de Flávio Bolsonaro, segundo observadores, inclui fugir de perguntas diretas, repetir propostas de segurança pública sem eficácia comprovada, atacar críticos ao ser confrontado e copiar integralmente as propostas econômicas de Lula, prometendo fazer “mais e melhor”.
Em encontros fechados com representantes do mercado financeiro, o candidato teria declarado posições contrárias às apresentadas publicamente, configurando, segundo analistas, uma manipulação populista que gera confusão nos debates e nas redes sociais, enquanto evita discutir o risco que sua postura representa para a democracia, à luz das declarações anteriores do bolsonarismo.
Com informacoes de O GLOBO.

