Inflação na zona do euro ainda alta, mas ainda não gera efeito cascata, diz presidente do BCE
A inflação na zona do euro permanece elevada, com riscos de alta predominantes, porém o aumento dos custos de energia ainda não se refletiu nos salários nem em outros preços, declarou nesta segunda-feira o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Joachim Nagel.
Segundo Nagel, a inflação anual no bloco monetário de 21 países está atualmente em 3,8%, quase o dobro da meta de 2% estabelecida pelo BCE, e ainda pode subir, alimentando temores de que a alta dos preços de energia desencadeie efeitos de segunda ordem difíceis de conter, perpetuando a escalada de preços sem uma ação agressiva do banco central.
\"Até o momento, não há sinais claros de que a inflação tenha se refletido na definição de preços e salários\", afirmou Nagel em discurso realizado em Sorrento, na Itália. \"As expectativas de longo prazo, tanto do mercado quanto dos especialistas, permanecem consistentes com a meta de inflação de 2% do Eurosistema.\"
Mesmo assim, o presidente não deu o sinal de que o perigo passou e alertou que as pressões sobre os preços devem permanecer fortes, mesmo excluindo os custos voláteis de alimentos e energia. \"Os preços do gás são especialmente vulneráveis porque os níveis de estoque estão baixos, e a Europa pode precisar comprar volumes substancialmente maiores durante o inverno\", disse Nagel durante uma conferência sobre metais preciosos.
Ele ainda destacou que \"a destruição da capacidade de refino está elevando significativamente os preços dos derivados de petróleo. Secas, incêndios florestais e escassez de fertilizantes também representam riscos para os preços dos alimentos\".
Essa extensa lista de riscos explica por que os mercados financeiros esperam que o BCE eleve a taxa de depósito, atualmente em 2,5%, mais duas ou três vezes ao longo dos próximos 12 meses. Nagel, porém, não endossou as apostas do mercado e limitou-se a afirmar que o BCE precisa ser flexível e continuar a tomar decisões com base nos dados que surgirem.
De acordo com dados da LSEG, os mercados estão precificando uma probabilidade de 20% de alta da taxa de juros pelo BCE em outubro e de 80% de um aumento em dezembro.
Com informacoes de Money Times.

