Imasul solicita análises de metais após naufrágio de barcaça carregada com minério no Rio Paraguai
O Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) requereu análises complementares de metais na água do Rio Paraguai, no trecho onde uma barcaça carregada com minério afundou no sábado (31).
Até o presente momento, o órgão afirma que não foi identificada nenhuma alteração nos parâmetros de qualidade da água em decorrência do acidente.
O naufrágio ocorreu no Porto Gregório Curvo, localizado em Corumbá, e a embarcação pertencia a uma empresa parceira da mineradora LHG Mining, que informou estar apurando as circunstâncias do incidente.
A LHG Mining atua na mineração de minério de ferro e manganês nas áreas de Corumbá e Ladário, integra o grupo J&F e opera principalmente as minas Santa Cruz e Urucum, explorando minério de ferro de alto teor e manganês.
Segundo o Imasul, o objetivo das análises complementares é ampliar a avaliação ambiental na zona afetada. Os dados de monitoramento apresentados pela LHG à Diretoria de Licenciamento e Fiscalização do instituto, referentes aos parâmetros de cor, turbidez, pH e temperatura, não indicaram alterações na qualidade da água até o momento.
“Até o momento da manifestação técnica, não havia registro de morte ou perecimento de animais aquáticos associado à ocorrência, não sendo identificados indícios de impacto relevante na qualidade das águas do Rio Paraguai com base nas informações avaliadas”, informou o Imasul.
O acompanhamento realizado pela empresa incluiu medições em diferentes pontos do Rio Paraguai: a montante, no local do naufrágio e a jusante da ocorrência, além da coleta de amostras para análises laboratoriais.
Em nota divulgada nesta quarta-feira (4), a Câmara Municipal de Corumbá informou que abriu espaço para que representantes das empresas mineradoras que atuam no município prestem esclarecimentos aos vereadores e à população durante a sessão de segunda-feira (9). A Câmara também sinalizou que poderá buscar a suspensão da licença de exploração mineral da LHG Mining caso os problemas ambientais atribuídos à empresa não sejam solucionados, embora ainda não haja decisão nesse sentido.
A repercussão do caso chegou à Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Na terça-feira (3), deputados questionaram os repasses financeiros da LHG Mining pela exploração de minério em Corumbá. O deputado Paulo Duarte apresentou dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) que mostram que a produção de minério no município passou de aproximadamente 3 milhões de toneladas em 2021 para 16 milhões de toneladas em 2025. No mesmo período, os repasses da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) caíram de R$ 33 milhões para R$ 11 milhões. A CFEM é uma compensação paga pelas empresas que exploram recursos minerais, distribuída entre municípios, estados e órgãos federais.
Imagens feitas durante o acidente mostram o momento em que a tripulação pula da embarcação (vídeo no início da reportagem).
A Marinha do Brasil informou que abriu investigação para descobrir o que provocou o acidente. Segundo a Capitania Fluvial do Pantanal, a embarcação foi identificada e será alvo de um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação, procedimento que reunirá depoimentos, documentos e outras informações que possam ajudar a esclarecer o que aconteceu.
A Marinha declarou que ainda não é possível apontar as causas do afundamento nem responsabilizar alguém pelo incidente; essas questões serão analisadas durante a investigação. A Capitania também informou que acompanha a situação e que poderá adotar medidas para garantir a segurança da navegação, proteger vidas e evitar possíveis danos ao meio ambiente.
A LHG Mining informou que está apurando as causas do incidente envolvendo uma barcaça de um armador parceiro, no Porto Gregório Curvo, ocorrido na manhã deste sábado (31), e colabora com as autoridades na investigação dos fatos, bem como na adoção das providências cabíveis. Não houve vítimas ou pessoas feridas.
O Imasul continua a monitorar as medidas que avaliam possíveis impactos ambientais decorrentes do naufrágio de uma barcaça carregada com aproximadamente 1.500 toneladas de minério.
Com informacoes de G1.

