IA substitui modelos? Marcas de moda adotam campanhas digitais e reduzem custos em até 80%

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 02/11/2026 19:00
IA substitui modelos? Marcas de moda adotam campanhas digitais e reduzem custos em até 80%

Foto: via Terra

Marcas de moda estão recorrendo a modelos virtuais e ambientes gerados digitalmente por meio de inteligência artificial, o que permite cortar até 80% dos gastos normalmente associados a produções fotográficas tradicionais.

Na TEOS, empresa especializada em campanhas alimentadas por IA, o diretor executivo Eduardo Schuller relata que uma simples foto tirada com celular de uma peça vestida em um manequim já serve como ponto de partida para a criação completa da campanha.

Até o momento, a TEOS desenvolveu projetos para nomes como Cantão, Melissa, Ipanema e diversas outras marcas, apresentando custos inferiores a 10% do valor de uma produção convencional que envolveria deslocamentos, cachês, hospedagens e demais despesas logísticas.

Segundo Schuller, a tecnologia pode reduzir em até 80% os custos das campanhas e entregar o material final em oito dias, embora esses números variem de acordo com a complexidade de cada trabalho.

O processo de criação começa antes da geração das imagens: a equipe conversa com a marca para compreender sua identidade, o conceito e a narrativa desejada, definindo então modelos, cenários, paletas de cores, roupas e a composição visual. “Hoje cada campanha que passa por aqui, desde a foto que a gente recebe até a entrega ao cliente, passa por pelo menos cinco profissionais diferentes, que vão acompanhando, analisando, criando e aperfeiçoando”, explica o executivo.

Embora a IA possibilite a produção de modelos virtuais e a redução de parte da estrutura de um ensaio fotográfico, Schuller enfatiza que o trabalho humano continua no centro da operação. Profissionais que antes atuavam em estúdios agora utilizam sua experiência para orientar a tecnologia, alterando a distribuição do tempo de trabalho: antes, 20% do tempo era dedicado à criatividade e 80% à produção; atualmente, 80% do tempo é investido na fase criativa, permitindo testar ideias e gerar múltiplas versões da campanha.

O uso de modelos virtuais levanta questões sobre direitos de imagem. A TEOS trabalha tanto com a criação de modelos inteiramente fictícios quanto com a utilização de imagens de modelos reais, sempre mediante autorização prévia. Schuller acredita que o futuro apontará para uma combinação cada vez maior entre formatos tradicionais e digitais, ampliando as possibilidades de produção sem eliminar as sessões presenciais.

“A tecnologia nos ajuda a escalar esse processo, a dar mais velocidade. Mas o valor está no olhar das pessoas que estão construindo essas histórias”, conclui o diretor executivo.

Com informacoes de Terra.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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