Giovane culpa transição acelerada por vexames do vôlei masculino

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 10/08/2026 10:20
Giovane culpa transição acelerada por vexames do vôlei masculino

Foto: via Terra

O bicampeão olímpico Giovane, aos 55 anos, analisa o momento de reconstrução do vôlei masculino com o olhar de quem viveu algumas das gerações mais vitoriosas da modalidade. Ele também transforma essas experiências em palestras sobre liderança, gestão de equipes e alta performance.

Nos últimos três anos, a equipe de Bernardinho acumulou recordes negativos, incluindo a inédita derrota para a Argentina no Sul-Americano em 2023, a não classificação para a semifinal da Olimpíada de Paris em 2024, o 17º lugar no Mundial de 2025 e a não classificação para a fase final da Liga das Nações nesta temporada.

Para Giovane, o desempenho recente do Brasil não pode ser explicado apenas pelos resultados. Ele acredita que a renovação aconteceu de maneira diferente daquela vivida por sua geração, quando os jovens eram inseridos aos poucos em grupos formados por jogadores experientes. 'Acho que esses jovens não tiveram, ainda, o tempo de maturação, ainda não jogaram em um nível no qual eles precisam jogar por mais tempo para poder conseguir tomar boas decisões.', afirma.

Giovane também faz um alerta contra análises simplistas, destacando que o voleibol internacional evoluiu e reduziu a distância entre as principais seleções, tornando o cenário muito mais competitivo do que nas décadas em que o Brasil dominava a modalidade. 'O mundo todo melhorou. Hoje, o nível é mais equilibrado lá fora.', questiona.

Na opinião de Giovane, a análise sobre o atual cenário do vôlei brasileiro precisa considerar, também, um contexto diferente daquele vivido pelos campeões olímpicos de Barcelona-1992 e Atenas-2004: além da evolução técnica dos adversários, a presença das redes sociais ampliou a cobrança sobre jogadores e comissão técnica.

As reflexões sobre a seleção brasileira esbarraram no episódio ocorrido durante a Liga das Nações, quando o líbero Maique Reis respondeu 'relaxa, é minha' durante uma discussão com o técnico Bernardinho, no duelo contra a Ucrânia. Giovane vê a discussão como algo que vai além de um momento isolado e diz respeito à forma como a liderança é exercida dentro de equipes de alta performance.

O bicampeão olímpico afirma que gostaria de ver Bernardinho resgatar características que marcaram sua trajetória nas gerações vencedoras. Na visão dele, o treinador continua sendo uma referência técnica e humana para o esporte brasileiro. 'A única coisa que eu falaria para o Bernardo é: 'Faz o que você fez com a gente'.

Com informacoes de Terra.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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