Gelo da Antártida Libera Mercúrio Acumulado

Por Cosmo Ricardo Nunes em Rio Verde, GO 07/08/2026 14:09
Gelo da Antártida Libera Mercúrio Acumulado

Foto: via Olhar Digital

Um novo estudo revelou que o derretimento da Antártida está liberando mercúrio acumulado no gelo ao longo de cerca de dois séculos. A descoberta acende um alerta para os possíveis impactos sobre a vida marinha. Os resultados, publicados na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), indicam que o aquecimento global pode transformar o continente gelado em uma nova fonte de poluição ambiental.

O mercúrio é liberado naturalmente por vulcões e pelo desgaste das rochas. No entanto, desde a Revolução Industrial, a queima de combustíveis fósseis e o aumento da mineração elevaram significativamente a quantidade desse metal no ambiente. Durante décadas, a Antártida funcionou como um grande reservatório natural, aprisionando o mercúrio em suas camadas de gelo. Isso ajudou a reduzir a quantidade do contaminante que chegava à cadeia alimentar marinha.

Liderada pelo cientista ambiental Chengzhen Zhou, da Universidade de Pequim, a pesquisa analisou testemunhos de sedimentos coletados na Península Antártica, a região que registra o derretimento mais acelerado do continente. Os pesquisadores verificaram que a plataforma continental local acumula mercúrio em uma taxa duas vezes superior à média mundial. Desde o início da industrialização, esse acúmulo cresceu cerca de 160%.

O derretimento acelera um novo ciclo de contaminação. Além do conhecido ciclo atmosfera-oceano, o estudo identificou um segundo mecanismo intensificado pelo aquecimento do clima: o ciclo atmosfera-glaciar-terra-oceano. É ele que volta a colocar em circulação o mercúrio que permaneceu aprisionado no gelo durante décadas. Segundo os pesquisadores, esse processo remobiliza o contaminante armazenado no continente.

Os principais resultados do estudo incluem: A taxa de acúmulo de mercúrio aumentou 160% desde a industrialização; O derretimento do gelo elevou em 550% a liberação de mercúrio armazenado; As trocas de mercúrio entre atmosfera e oceano cresceram 350%; O transporte do contaminante para o oceano aberto aumentou cerca de 400%.

O impacto pode ir além da Antártida. A Organização Mundial da Saúde classifica o mercúrio entre os dez produtos químicos de maior preocupação para a saúde pública, mesmo em baixas concentrações. O estudo também lembra que pesquisas anteriores identificaram bactérias no gelo marinho antártico capazes de transformar o mercúrio em metilmercúrio, uma forma muito mais tóxica que se acumula nos organismos marinhos.

Os autores observaram ainda que a exportação de mercúrio da Península Antártica para o oceano aberto aumentou cerca de 400%, indicando que a contaminação pode alcançar outras regiões. Segundo o estudo, reduzir as emissões provenientes da queima de combustíveis fósseis continua sendo uma das principais formas de conter o avanço desse problema ambiental.

Com informacoes de Olhar Digital.

Cosmo Ricardo Nunes

Sobre o Autor: Cosmo Ricardo Nunes

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