Furto de cabos deixa 109 escolas estaduais do Rio sem energia; algumas ficaram até dez meses no escuro

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 14/09/2026 08:40
Furto de cabos deixa 109 escolas estaduais do Rio sem energia; algumas ficaram até dez meses no escuro

Foto: via O GLOBO

Dados obtidos pelo GLOBO apontam que, neste ano, pelo menos 109 escolas da rede estadual do Rio de Janeiro ficaram sem energia elétrica em razão de furtos de cabos, e algumas delas permaneceram no escuro por até dez meses.

Com a proximidade das eleições, o problema ganhou nova dimensão, pois muitas dessas unidades serão utilizadas como locais de votação ou como estruturas de apoio à Justiça Eleitoral, intensificando a necessidade de restauração rápida da infraestrutura.

Em ofício encaminhado na última semana ao Ministério Público do Rio, a Secretaria de Educação do estado (Seeduc) solicitou apoio e destacou que “a preservação das condições de funcionamento dos colégios deixa de representar preocupação exclusivamente relacionada à continuidade da atividade educacional, passando a possuir reflexos também sobre a adequada preparação da infraestrutura necessária à realização do pleito eleitoral”.

Os efeitos dos furtos se estenderam ao cotidiano escolar: a falta de energia compromete iluminação, redução do tempo de aula, interrupção de projetos pedagógicos, impossibilidade de preparar refeições e outras atividades essenciais.

No Ciep 168, que antes funcionava em período integral das 7h às 16h30, os estudantes passaram a deixar a escola às 11h30; projetos que dependiam de tecnologia foram suspensos e o turno noturno foi migrado para o formato remoto, impossibilitando o serviço de almoço por falta de refrigeração.

“Essa falta de luz prejudica muito a gente, porque não dá para aprofundar as matérias com o pouco tempo que temos para cada disciplina. Mal dá tempo de os professores começarem a aula e já precisam terminar. Fora todas as outras atividades impactadas pela falta de energia, como a aula de programação”, relatou Larissa, aluna que pretende prestar vestibular de medicina.

O Ciep 498 Irmã Dulce, localizado em Itaguaí, enfrentou cerca de dez meses sem energia. O furto dos cabos ocorreu ainda em 2025, mas a escola conseguiu um gerador para concluir o ano letivo. No início do período escolar seguinte, a unidade voltou a ficar às escuras.

Segundo a mãe de uma aluna do 1º ano do ensino médio, alguns estudantes abandonaram a escola por temerem prejuízos ao vestibular. “Quando estava muito escuro e nem a luz de fora resolvia, as aulas eram canceladas. Os alunos eram orientados a levar água com gelo de casa nos dias mais quentes”, declarou, pedindo anonimato.

Teca Pontual, diretora‑executiva do Instituto João e Maria Backheuser e especialista em gestão educacional, classificou a situação como um exemplo de descaso com a infraestrutura da educação pública no estado: “É muito triste ver que o Estado do Rio, que tem o segundo maior PIB do Brasil, não consegue oferecer uma educação minimamente de qualidade aos seus alunos”.

O episódio se insere em um cenário mais amplo de violência urbana, no qual tráfico, milícias e outros grupos criminosos monopolizam produtos do cotidiano da população, reforçando o controle territorial por meio de punições que variam de humilhação a espancamento e até morte.

Em paralelo, surgiram relatos sobre o Primeiro Comando do Golpe, grupo formado em presídios que pode se tornar a quinta facção do Rio, ampliando a disputa por territórios.

Confrontos recentes entre facções também têm elevado a tensão nas praias do Leme e de Copacabana, onde o controle do tráfico e do comércio ilegal se intensifica.

Com informacoes de O GLOBO.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

Cobre o que o Brasil está buscando agora: famosos, esporte, tech, games e virais.