Estudante da UFRJ é alvo de linchamento após vestir camiseta com símbolos controversos

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 14/09/2026 08:40
Estudante da UFRJ é alvo de linchamento após vestir camiseta com símbolos controversos

Foto: via O GLOBO

Diego, aluno da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), compareceu ao campus usando uma camiseta da banda punk Death in June, cuja estampa apresenta uma caveira da SS estilizada como caveira de neandertal. A banda já foi associada a manifestações da extrema‑direita europeia, foi proibida de se apresentar na Alemanha e, segundo o próprio Diego, realizou shows em Israel.

Além da camiseta, o estudante trazia um broche que exibia um símbolo de proibido sobre uma suástica, indicando que não se identificava com o nazismo. Em entrevista ao jornalista Pedro Doria, do Canal Meio e colunista do GLOBO, Diego afirmou: “Sou um estudante do tema nazismo, seja no Brasil, seja na Europa. Meu interesse é puramente acadêmico”.

Embora a legislação brasileira proíba a exibição de símbolos nazistas, ainda não há definição jurídica clara sobre a violação no caso de Diego. Mesmo assim, ele foi submetido a agressões físicas e morais por parte de outros estudantes.

Em resposta ao episódio, mais de 200 professores universitários assinaram um manifesto em que se solidarizam com os estudantes que, segundo eles, foram agredidos por um “neonazista”. O documento classifica a ação dos agressores como “reação de autodefesa” e critica a caracterização do fato como “linchamento”.

A instituição Federal de Ensino Superior do Ceará (IFCS) emitiu nota repudiando o ataque, mas sem enfatizar a distinção entre a violência física sofrida por Diego e a suposta manifestação nazista. A reitoria da UFRJ adotou postura semelhante, emitindo comunicado que não condenou explicitamente os agressores.

Sindicatos e associações estudantis também manifestaram apoio aos agressores, enquanto o jornalista Pablo Ortellado, da equipe do GLOBO, identificou centenas de publicações nas redes sociais que celebravam o linchamento, com curtidas de estudantes e professores.

Um grupo de defesa de direitos humanos afirmou que “a violência do oprimido não é a violência do opressor”, sugerindo que a vítima, Diego, seria o opressor na situação. A mesma fonte destacou que a reação do meio acadêmico evidencia tensões ideológicas nos departamentos de humanidades das universidades brasileiras.

O caso continua sob investigação, com pedidos de que os responsáveis pelas agressões sejam identificados e processados de acordo com a legislação vigente.

Com informacoes de O GLOBO.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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