UFRJ entrega diplomas póstumos a 25 estudantes e professores mortos ou desaparecidos na ditadura
UFRJ concedeu, na cerimônia realizada no Salão Nobre do Fórum de Ciência e Cultura da universidade, no bairro Flamengo, diplomas póstumos a 25 estudantes e professores que desapareceram ou foram mortos durante a ditadura militar no Brasil.
O ato faz parte das comemorações dos 106 anos da instituição, completados no dia 7, e foi conduzido pelo reitor Roberto Medronho, que pediu desculpas aos familiares pela demora e ressaltou o caráter simbólico dos diplomas, afirmando que não têm valor jurídico, mas servem para afirmar que a universidade não esquece as vítimas.
Em julho, a UFRJ já havia diplomado Stuart Edgar Angel Jones, estudante do Instituto de Economia, como bacharel em Ciências Econômicas; Jones foi sequestrado, torturado e morto por agentes da ditadura em 1971, aos 25 anos, e seu corpo nunca foi encontrado, sem que nenhum responsável fosse punido.
Entre os homenageados está o professor Raul Amaro Nin Ferreira, que foi preso e torturado no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) e no Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI‑Codi), ambos em Rio de Janeiro; posteriormente foi levado ao Hospital Central do Exército (HCE) em Benfica, onde foi novamente interrogado sob tortura e morreu entre 11 e 12 de agosto de 1971, aos 27 anos, conforme investigação da Comissão Estadual da Verdade do Rio (CEV‑Rio).
Felipe Nin, sobrinho de Raul e membro do Coletivo Memória, Verdade e Justiça e Reparação, afirmou que as homenagens preenchem a lacuna da falta de justiça, pois até hoje os responsáveis pela prisão, tortura e assassinato não foram julgados, tendo seus processos sido anistiados.
Também foram reconhecidos estudantes vítimas da chamada “Chacina de Quintino”, ocorrida em 29 de março de 1972 em uma casa no bairro da Zona Norte do Rio; a versão oficial da época alegava que Antônio Marcos Pinto de Oliveira, Lígia Maria Salgado Nóbrega e Maria Regina Lobo Leite de Figueiredo, integrantes da organização de esquerda VAR‑Palmares, morreram em confronto com agentes da ditadura, mas investigação da CEV‑Rio em 2013, baseada em documentos e depoimentos, concluiu que foram executados.
O reitor Medronho destacou que ao pronunciar os nomes e entregar os diplomas à família, a universidade está devolvendo a memória desses jovens à comunidade acadêmica, reforçando que “uma democracia sem memória é muito vulnerável”.
A cerimônia contou ainda com a presença de familiares, representantes de movimentos de memória e autoridades da UFRJ, reforçando o compromisso da instituição em preservar a história das vítimas da repressão militar.
Com informacoes de O GLOBO.

