Estudante de História da UFRJ sofre linchamento físico e moral após acusação de apologia ao nazismo
Há duas semanas, Diego Araújo, estudante de História da UFRJ, foi retirado da sala de aula por uma turba que o acusou de fazer apologia ao nazismo. A agressão ocorreu em três momentos distintos, envolvendo mais de dez pessoas que o espancaram com socos e pontapés até que ele fosse expulso do prédio universitário.
O episódio foi registrado em dois vídeos. No primeiro, Diego exibe um broche antinazista e explica que a caveira da SS estampada em sua camiseta tem caráter crítico, comparando a estratégia a artistas como David Bowie. No segundo vídeo, a multidão bate em Diego caído na escada, evidenciando a violência física.
Apesar da aparente incompreensão da simbologia antinazista pelos agressores, uma onda de apoio institucional aos agressores se espalhou pela universidade. No mesmo dia das agressões, uma postagem conjunta da UNE e do DCE da UFRJ reiterou a tese de que o estudante teria “símbolo nazista retirado” da universidade.
A UFRJ e o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) emitiram notas ambíguas, criticando tanto o nazismo quanto a violência, sem condenar explicitamente os agressores. Sindicatos como Sintufrj, Asduerj e CSP‑Conlutas também se solidarizaram com os agressores, condenando o nazismo, o racismo e o fascismo.
Após o linchamento, Diego foi alvo de uma campanha de difamação moral, descrita como “sórdida e covarde”. Em resposta, um manifesto de “docentes em defesa da UFRJ”, assinado por mais de 200 professores, inclusive um ex‑reitor, declarou solidariedade aos estudantes “agredidos por um neonazista” e repudiou a caracterização da reação como ato de linchamento.
Um grupo de pesquisa em direitos humanos, ao analisar o caso, afirmou que “a violência do oprimido não é a violência do opressor” e que “uma reação coletiva de estudantes” não deveria ser equiparada a linchamento.
O texto ainda traz uma analogia histórica ao caso de Mario Frias e o barbeiro Gian Giacomo Mora, personagens ligados à produtora de ‘Dark Horse’. Segundo relatos, a PF investigou desvios de verbas federais e lavagem de dinheiro envolvendo Mario Frias, que teria prometido impunidade ao denunciar cúmplices. Mora foi acusado de fabricar pomada para espalhar peste, preso, torturado e submetido a suplícios violentos, tendo sua casa arrasada e uma “coluna infame” erguida sobre o terreno. Alessandro Manzoni, em seu ensaio “História da coluna infame” (Editora Unesp), denunciou o linchamento de Mora e Piazza, apontando a complacência das instituições e dos juízes que mentiram, abusaram do poder e aplicaram “dois pesos e duas medidas”. Manzoni ressaltou que a injustiça não foi fruto da irracionalidade da multidão, mas da racionalidade institucional.
O caso de Diego Araújo, ao ser comparado com o ensaio de Manzoni, evidencia a falha das instituições universitárias em condenar veementemente a violência praticada em seu interior, replicando um padrão histórico de impunidade e cumplicidade.
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Com informacoes de O GLOBO.

