Família de missionários é acusada de colaborar com o Comando Vermelho dentro de presídios de Mato Grosso

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 14/09/2026 09:20
Família de missionários é acusada de colaborar com o Comando Vermelho dentro de presídios de Mato Grosso

Foto: via G1

Uma investigação da Polícia Civil de Mato Grosso revelou que uma família de missionários religiosos teria utilizado o acesso a unidades prisionais para colaborar com a facção criminosa Comando Vermelho.

De acordo com a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), a família era composta por Rhêvena Barcelos de Almeida, sua mãe Orminda de Almeida e seu pai Nivaldo de Almeida, ambos pastores, que atuavam em programa autorizado pelo governo estadual para prestar assistência religiosa na Penitenciária Central de Cuiabá.

As investigações apontam que Rhêvena e seus pais transmitiam recados de presos, emprestavam contas bancárias para movimentação de recursos e ajudavam a ocultar dinheiro proveniente do tráfico de drogas, aproveitando a atividade religiosa para se aproximar de lideranças da facção.

Entre os documentos apreendidos constam mensagens, fotos, vídeos e áudios que mostram Rhêvena exibindo armas, grandes quantias em dinheiro, joias e veículos de luxo. Um Porsche avaliado em cerca de R$ 600 mil foi identificado como pertencente a Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como “Batman”, líder do Comando Vermelho em Mato Grosso que cumpria pena na mesma unidade prisional.

A polícia afirma que Rhêvena manteve relacionamento amoroso com “Batman” e que viajava com frequência ao Rio de Janeiro, onde participava de momentos de lazer financiados pelo grupo criminoso, incluindo festas, viagens e uso de carros de luxo.

O inquérito também revelou vínculo amoroso entre Rhêvena e Renildo Silva Rios, considerado um dos fundadores do Comando Vermelho em Mato Grosso, preso há mais de duas décadas por homicídio, tráfico e organização criminosa. Renildo enviava presentes à investigada, entre eles joias e um veículo, e a missão teria conhecimento da posição de destaque de Renildo na facção.

A Draco identificou ainda outras mulheres que atuavam como missionárias nos presídios e que teriam mantido relacionamentos com traficantes, sendo indiciadas por falso testemunho por supostamente mentirem em depoimentos à polícia.

Rhêvena Barcelos de Almeida, sua mãe Orminda de Almeida e seu pai Nivaldo de Almeida foram indiciados por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Posteriormente, o Ministério Público denunciou Rhêvena, Orminda e Renildo Silva Rios pelos mesmos crimes.

A Justiça de Mato Grosso determinou a proibição de Rhêvena, Orminda, Nivaldo e outras quatro pessoas citadas no inquérito de exercerem atividades de assistência religiosa em unidades prisionais. A Secretaria de Justiça reforçou a fiscalização do uso de celulares na Penitenciária Central de Cuiabá.

Em nota, a defesa de Rhêvena Barcelos de Almeida negou as acusações, alegando que os fatos serão esclarecidos no processo, e a defesa de Orminda de Almeida afirmou que sua filha não tem participação em organização criminosa.

Nesta semana, Nivaldo de Almeida faleceu em consequência de um câncer, conforme informações divulgadas pelas autoridades.

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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