Flávio Bolsonaro é investigado pelo STF em inquérito de Mendonça sobre financiamento do filme "Dark Horse"
O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou investigação sobre o senador Flávio Nantes Bolsonaro, originada por despacho do ministro Alexandre de Moraes Mendonça, que determinou a instauração de inquérito (INQ 5026) para apurar suposta prática de crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos no financiamento do filme “Dark Horse”.
A investigação foi solicitada pela Polícia Federal e recebeu autorização da Procuradoria‑Geral da República, conforme texto assinado por Mendonça que cita o artigo 21, inciso XV, do Regimento Interno do STF.
Mensagens reveladas pelo portal Intercept Brasil indicam que Flávio Bolsonaro pediu ao banqueiro Daniel Vorcaro R$ 131 milhões para a produção da obra, dos quais R$ 60 milhões foram efetivamente pagos, segundo planilhas apreendidas pela PF.
O pedido de investigação foi feito em sigilo; a PF continua realizando diligências, e o inquérito principal do caso Master inclui o despacho de Mendonça, mas a apuração específica sobre Flávio permanece sob sigilo.
Flávio Bolsonaro tem negado qualquer envolvimento em irregularidades relacionadas ao filme, afirmando em campanha em Roraima que “não há um centavo de dinheiro público. Pode revirar do avesso”.
A prestação de contas completa do filme nunca foi apresentada; a produtora entregou à Justiça documentos de gastos, mas os detalhes do financiamento, realizado por meio do fundo Heavengate, sediado nos Estados Unidos, permanecem desconhecidos.
Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostra que o ex‑marqueteiro de Flávio, Marcello Lopes, enviou R$ 1 milhão para a produtora Go Up, responsável pelo filme, entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, conforme comunicação de movimentações financeiras obtidas pela PF.
Há investigação distinta sobre se recursos de Vorcaro, envolvidos em fraudes milionárias com o Banco Master, foram canalizados ao fundo Heavengate e, por extensão, à produção de “Dark Horse”.
Também se suspeita que as verbas possam ter financiado despesas no exterior do ex‑deputado Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos.
Nesta semana, o ministro Mendonça homologou a delação premiada do operador de mercado financeiro Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, dono da Entre Investimentos e Participações, empresa utilizada para repasses entre Daniel Vorcaro e a produção de “Dark Horse”.
Conforme colunista Malu Gaspar, “Mineiro” confirmou à PGR que realizou, ao longo do ano passado, sete transferências bancárias para o fundo Havengate, totalizando US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 69 milhões na cotação da época), a pedido de Vorcaro.
Existe ainda outro braço da investigação que apura suposto repasse irregular de emendas parlamentares ao filme; na quinta‑feira, o ministro Flávio Dino, do
Com informacoes de O GLOBO.

