Fipe dos clássicos: como funcionará o novo índice de referência de preços para carros antigos

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 01/11/2026 08:30
Fipe dos clássicos: como funcionará o novo índice de referência de preços para carros antigos

Foto: via Estadão

Um estudo internacional encomendado pela Federação Internacional de Veículos Antigos (FIVA) revelou que, em 2019, o antigomobilismo brasileiro movimentou R$ 32,6 bilhões, sendo R$ 12,3 bilhões com a compra e venda de clássicos. Na época, a Secretaria Nacional de Trânsito computava aproximadamente 70 mil veículos de coleção registrados no País; atualmente, são cerca de 160 mil.

Sem uma espécie de tabela Fipe própria para carros antigos, torna-se difícil saber qual Gol GTi pode ser vendido por R$ 520 mil ou se o Fiuk acertou no preço do seu Opala Comodoro 1988. Para tentar preencher essa lacuna, a plataforma Valor Clássico estreia no próximo domingo (1), com o objetivo de oferecer referências mais precisas sobre o preço de um antigo colecionável, começando pela definição do que caracteriza esse tipo de veículo.

Segundo Vinícius Ribeiro, criador da plataforma, um Fusca restaurado e um Fusca abandonado no fundo do quintal não são o mesmo produto, ainda que tenham o mesmo nome, ano e modelo. Ele afirma que os veículos de coleção estão diluídos em um universo que os coloca na mesma categoria dos usados comuns.

De acordo com Ribeiro, a tabela Fipe cobre veículos a partir de 1985 e foi construída para um mercado de alto giro, com oferta padronizada e depreciação previsível, em que dois exemplares do mesmo modelo e ano valem praticamente o mesmo. Já o mercado de coleção funciona de outra forma: tem giro baixo, oferta irregular e tende à valorização, e não à depreciação. Ele ilustra a dispersão de preços com a seguinte constatação: ao perguntar a dez pessoas do meio quanto vale determinado carro, obtêm-se dez números diferentes, baseados na última negociação acompanhada, em pedidos de amigos, no valor pago há três anos ou na avaliação pessoal sobre o que o carro merece valer.

A plataforma será lançada com base em mais de 30 mil anúncios classificados, provenientes de mais de 30 fontes do mercado brasileiro, incluindo ofertas de lojas especializadas e anúncios de marketplaces em geral. Segundo Ribeiro, a parte mais difícil é identificar, dentro desse volume, o que é de coleção. Sobre essa base já classificada, é aplicado um tratamento estatístico próprio, desenvolvido para um mercado de alta dispersão. Ele ressalta que o resultado não é a resposta final, mas é a primeira resposta passível de verificação.

A ferramenta é voltada a colecionadores e lojistas, mas também pode interessar a investidores e instituições financeiras que, ao olharem para esse mercado bilionário, passarão a contar com referências de valores para segurar, financiar ou consorciar veículos antigos.

Com informacoes de Estadão.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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