Federação de Atletismo do RJ pede regras mais rígidas após morte de corredor na Maratona de Niterói

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 08/10/2026 17:20
Federação de Atletismo do RJ pede regras mais rígidas após morte de corredor na Maratona de Niterói

Foto: via G1

A fatalidade envolvendo o empresário Jair Vieira Junior, conhecido como Juninho, ocorreu na 5ª Maratona de Niterói, realizada em 27 de setembro. Com 53 anos, o participante completou os 42 quilômetros da prova, recebeu a medalha ao final e, imediatamente após, começou a sentir mal-estar. Foi conduzido ao posto médico instalado no percurso, recebeu os primeiros socorros e, em seguida, foi encaminhado ao Hospital Municipal Carlos Tortelly, no Centro de Niterói, onde faleceu.

Robson Maia, presidente da Federação Estadual de Atletismo do Rio de Janeiro, declarou que a entidade defende a adoção de normas mais rigorosas para a realização de corridas de rua. Segundo ele, cerca de 80% das corridas na capital não solicitam o chamado "permit" à federação, enquanto a Prefeitura do Rio exige estrutura médica adequada para a emissão de alvarás. Maia ressaltou que a federação não possui poder de polícia para impedir a realização de eventos que não estejam em conformidade.

O "permit" está previsto na Norma 7 da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) e garante, entre outros requisitos, que o percurso esteja devidamente medido, que os postos de hidratação estejam nos locais corretos, que haja ambulâncias e equipes médicas e paramédicas proporcionais ao número de atletas, além da disponibilização de banheiros químicos. O evento da 5ª Maratona de Niterói contava com esse documento.

Robson Maia informou ainda que ainda não recebeu o relatório técnico elaborado após a maratona, o que impede a identificação de possíveis falhas na organização. Contudo, ele destacou que a empresa responsável costuma seguir os protocolos estabelecidos.

Treinadores entrevistados pelo G1 defendem a exigência de um índice de preparo para provas que ultrapassem 15 quilômetros. Wallace Barbosa, professor de educação física e treinador, afirmou que esse critério funciona como um filtro importante, já que “as chances são bem maiores para quem não está preparado”. André Guilherme, também treinador, corroborou a necessidade do índice, citando a Corrida da Ponte como exemplo de prova que já o exige, e enfatizou que a segurança do corredor deve ser prioridade.

Luana Cabral, professora de educação física e corredora, relatou que costuma observar participantes passando mal, inclusive entre aqueles que treinam regularmente. Ela apontou que a corrida se tornou uma moda, com número crescente de inscritos, e alertou para a necessidade de cautela diante das consequências desse aumento.

Maria Clara Brito, estudante, compartilhou que percebeu demora no atendimento médico a casos de menor gravidade durante a maratona e que, após a morte de Juninho, muitos corredores sentem receio de participar de provas longas.

Karen Casalini, diretora da 3A Eventos, empresa organizadora da Maratona de Niterói, garantiu que o evento seguiu todo o protocolo exigido: foram disponibilizadas oito ambulâncias ao longo do percurso, o "permit" estava em ordem, havia autorização do Corpo de Bombeiros e seguros contra acidentes. Ela afirmou que o empresário recebeu atendimento imediato, que a organização prestou apoio à família e que o número de atendimentos médicos aumentou consideravelmente em comparação a edições anteriores.

Em paralelo ao debate sobre segurança, o Rock Run, iniciativa vinculada ao Rock in Rio, anunciou a realização de uma corrida de rua na edição de 2028, sinalizando a continuidade da expansão de eventos de corrida no estado.

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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