Escudo Invisível para Satélites: Proteção contra Falhas Irreversíveis no Espaço
Em um esforço para evitar problemas difíceis de detectar em satélites, pesquisadores do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC), na Espanha, desenvolveram um novo tipo de revestimento para as superfícies dos componentes. O fenômeno, chamado de efeito multipactor, pode provocar falhas graves em equipamentos usados para transmitir sinais de rádio e micro-ondas.
Para tentar evitar esse problema, a equipe do Instituto de Ciência de Materiais de Madri (ICMM), ligado ao CSIC, decidiu trabalhar com estruturas ainda menores do que as utilizadas em tentativas anteriores. Os pesquisadores produziram nanopartículas de ouro e prata com tamanho entre 4 e 8 nanômetros e usaram essas partículas para criar uma camada metálica com uma estrutura cheia de pequenos espaços.
O revestimento é produzido em condições de ultra-alto vácuo, sem a utilização de solventes ou geração de resíduos. Nos testes realizados em laboratórios credenciados pela Agência Espacial Europeia (ESA), a nova camada reduziu em aproximadamente 30% a emissão de elétrons secundários em comparação com o Alodine, um material comummente utilizado para esse propósito.
Além disso, a chamada energia de corte, que indica a partir de qual ponto uma superfície passa a liberar mais elétrons do que recebe, chegou a apresentar desempenho até 300% melhor em algumas configurações. Os pesquisadores também avaliaram como o revestimento se comportava ao longo do tempo e constataram que ele continuou funcionando melhor do que uma nova camada de Alodine, mesmo após seis meses de testes.
A tecnologia já possui um pedido conjunto de patente do CSIC e da Nanostine, e as organizações pretendem comercializar o material principalmente para o setor aeroespacial. No entanto, antes de ser utilizado diretamente em missões espaciais, será necessário realizar novas etapas de testes e validação.
Segundo Lidia Martínez, pesquisadora do CSIC e uma das autoras do estudo, o processo entre o desenvolvimento de um novo revestimento e sua utilização no espaço pode levar cerca de uma década. Ainda assim, o desenvolvimento de um escudo invisível para satélites pode ser um passo importante para proteger esses objetos e garantir a continuidade das comunicações espaciais.
Com informacoes de Olhar Digital.

