Entrevista de Lula à Globo: checagem de declarações e contexto político
Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à Presidência da República pelo PT, concedeu entrevista nesta quinta-feira, 27 de agosto, à TV Globo, conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, diretamente dos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. A entrevista integra a série de sabatinas realizadas com os presidenciáveis, exibidas após o Jornal Nacional.
A emissora convidou os seis candidatos melhor posicionados na pesquisa de intenção de voto divulgada pela Quaest em 14 de agosto, e a ordem de transmissão foi definida por sorteio, com a presença de representantes dos partidos.
O cronograma das entrevistas foi o seguinte: 24 de agosto (segunda‑feira) – Romeu Zema (Novo); 25 de agosto (terça‑feira) – Ronaldo Caiado (PSD); 26 de agosto (quarta‑feira) – Renan Santos (Missão); 27 de agosto (quinta‑feira) – Luiz Inácio Lula da Silva (PT); 28 de agosto (sexta‑feira) – Flávio Bolsonaro (PL); 29 de agosto (sábado) – Augusto Cury (Avante).
A equipe do Fato ou Fake verificou as principais declarações de Lula durante a entrevista. A afirmação “Eu não conheço essa moça [Roberta Luchsinger], nunca vi essa moça na minha vida, nunca conversei com essa moça, ela nunca esteve próxima de mim” foi classificada como #FAKE.
Segundo o perfil da lobista Roberta Luchsinger no Instagram, há ao menos três fotos e um vídeo nos quais ela aparece ao lado do presidente Lula. Luchsinger é amiga do filho mais velho de Lula, Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), e está investigada no inquérito da Polícia Federal sobre descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS, bem como sobre repasses a Marco Aurélio Santana (ex‑chefe de gabinete do presidente) e sobre minuta de contrato de venda de medicamentos à base de canabidiol para o Ministério da Saúde.
Um vídeo publicado por Luchsinger em 20 de julho de 2022 exibe duas fotos em que a lobista aparece ao lado de Lula; outras imagens mostram a primeira‑dama Janja, o candidato a governador de São Paulo Fernando Haddad (PT), o vice‑na‑chapa de Haddad Márcio França (PSB) e o vice‑presidente Geraldo Alckmin (PSB). Em post de 27 de outubro de 2022, Luchsinger escreveu: “Feliz aniversário para o cara que fará o Brasil feliz de novo !!! Parabéns #presidentelula !!!”.
Lula também afirmou que “Fernando Henrique Cardoso trocou três presidentes do Banco Central. Eu entrei e fiquei dois anos com o presidente indicado pelo Bolsonaro”. Essa declaração foi rotulada como #NÃOÉBEMASSIM, pois a checagem mostrou que, durante a gestão de FHC (1995‑2002), houve quatro trocas de presidentes do Banco Central, não três.
Segundo a galeria de ex‑presidentes do Banco Central, a sequência foi: Pedro Malan (até 31 dez 1994); Persio Arida (11 jan 1995 – 31 mai 1995); Gustavo Loyola (13 jun 1995 – 20 ago 1997); Gustavo Franco (20 ago 1997 – 4 mar 1999); Armínio Fraga (4 mar 1999 – 1 jan 2003). O presidente do Banco Central nos dois primeiros anos do terceiro mandato de Lula (2023‑2026) foi Roberto Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro, que deixou o cargo em 31 dez 2024. O presidente indicado por Lula, Gabriel Galípolo, tem mandato até o fim de 2028, sendo essa afirmação considerada #FATO.
Lula declarou que foi acusado de possuir um apartamento e uma chácara que não tinha, e que sua inocência foi provada quando o processo foi anulado. Em 8 mar 2021, o ministro Edson Fachin, do STF, anulou as quatro condenações de Lula relacionadas à Operação Lava Jato, argumentando que a 13ª Vara Federal de Curitiba não era o “juiz natural” para julgar os processos. A decisão restabeleceu os direitos políticos de Lula, sem analisar o mérito das condenações nem declarar inocência.
Em 23 mar 2021, a 2ª Turma do STF declarou que o ex‑juiz Sergio Moro agiu com parcialidade ao condenar Lula no caso do tríplex, reforçando a controvérsia judicial envolvendo o petista.
Não é a primeira vez que o caso Lulinha aparece em nossa cobertura; a pesquisa da AtlasIntel publicada em 27 agosto analisou a percepção dos eleitores sobre as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva.
Com informacoes de G1 Política.

