Lula descarta privatização dos Correios e afirma que dívida pública não é preocupação
Lula, candidato à reeleição, participou de entrevista concedida à Globo nesta quinta‑feira (27) e descartou a possibilidade de privatizar os Correios, ao mesmo tempo em que afirmou que a dívida pública brasileira não lhe causa preocupação.
O presidente ressaltou que a estatal registra prejuízo de R$ 15 bilhões, acumulado em quatro anos consecutivos de déficit, e que pretende recuperar a empresa para que ela volte a prestar serviços de qualidade ao cidadão.
Segundo Lula, os Correios têm importância estratégica por estarem presentes em todos os municípios do país, mas reconheceu que a empresa não acompanhou as transformações do mercado de entregas nem o avanço de concorrentes privados.
Ele informou que a empresa está sob nova administração, responsável por “fazer o enxugamento que for necessário”, e acrescentou que, se necessário, buscará parcerias com empresas brasileiras ou estrangeiras para ampliar e melhorar os serviços oferecidos.
Quando questionado sobre metas para a dívida pública nos próximos quatro anos, Lula respondeu que a dívida “não preocupa”, sem indicar um patamar específico a ser atingido.
Na mesma entrevista, foram citados números que apontam a dívida pública acima de R$ 10 trilhões, representando 82 % do PIB, com alta de 10 pontos percentuais durante o atual governo. O presidente atribuiu parte desse avanço à taxa de juros de 14 % ao ano e ao déficit fiscal de 2,8 % que, segundo ele, herdou da gestão anterior.
Lula argumentou que o crescimento da economia ajudará a reduzir a relação dívida/PIB e citou exemplos internacionais, como os Estados Unidos (120 % do PIB), Japão e Itália, para sustentar sua avaliação.
A entrevista foi a quarta de uma série da Globo com candidatos à Presidência. As entrevistas anteriores foram realizadas com Romeu Zema (24 de agosto), Ronaldo Caiado (25 de agosto) e Renan Santos (26 de agosto). As próximas estão agendadas para Flávio Bolsonaro (28 de agosto) e Augusto Cury (29 de agosto). Foi a primeira vez que as entrevistas foram transmitidas após o Jornal Nacional, ficando disponíveis na íntegra no g1 e no Globoplay.
O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro. Lula, que completará 81 anos em outubro, busca um quarto mandato em 2026, o que poderia levar a um total de 16 anos no Palácio do Planalto.
Como já analisado em nossa cobertura da entrevista de Lula à Globo em 27 de agosto, o presidente tem mantido posição firme sobre a recuperação dos Correios e a gestão da dívida pública.
Com informacoes de G1 Política.

