Enem: 9 erros que podem transformar a redação em nota zero
O Enem exige que a redação seja dissertativo‑argumentativa, com tese, desenvolvimento e proposta de intervenção. Professores de redação e diretores de ensino reuniram os principais equívocos que podem levar à classificação "texto zero", mesmo que o candidato escreva bem.
1. Fugir do tema – Quando o candidato não desenvolve o tema específico proposto nem o assunto mais amplo relacionado, a redação recebe nota zero. Isabela Canella, professora da escola SEB Lafaiete, destaca que a leitura atenta do recorte temático é essencial. “A dica para não fugir do tema é usar todas as palavras‑chave que o recorte temático da redação traz”, orienta. Ela recomenda que esses termos apareçam já na introdução e sejam retomados ao longo da argumentação.
2. Abandonar a estrutura exigida – O Enem pede um texto dissertativo‑argumentativo com intervenção. Canella alerta que a forma de organizar visualmente o conteúdo pode gerar dúvidas: tracinhos ou bolinhas usados para iniciar parágrafos podem ser interpretados como tópicos, e um texto em tópicos não é aceito como dissertação‑argumentativa. Além disso, recomenda evitar a primeira pessoa do singular e relatos extensos que possam ser confundidos com opinião pessoal.
3. Inserir trechos deliberadamente fora do tema – Bilhetes dirigidos à banca, comentários sobre o próprio desempenho ou mensagens de protesto são exemplos de conteúdo desconectado. Rafael Cunha, diretor nacional da Microlins, diferencia falha de ligação entre ideias e inserção intencional de material estranho. “Uma coisa é o estudante desenvolver um argumento que não ficou bem conectado; outra é inserir propositalmente uma frase que não tem relação com o tema”, explica. Ele sugere que, na revisão, o candidato pergunte: “Esse parágrafo ajuda a defender a minha tese?”. Se a resposta for não, o trecho deve ser removido.
4. Deixar a redação em branco na folha oficial – Muitos alunos escrevem apenas na folha de rascunho e esquecem que a correção ocorre na folha oficial. Canella pontua que a ausência de texto na folha oficial resulta em classificação "Em branco", mesmo que a folha de rascunho esteja preenchida.
5. Texto insuficiente (menos de sete linhas) – A redação manuscrita deve ter mais de sete linhas. Caso contrário, recebe a classificação "Texto insuficiente", independentemente do conteúdo. Canella esclarece que um texto tão curto dificilmente atende à expectativa de quatro parágrafos, dois problemas desenvolvidos, proposta de intervenção e introdução completa. O limite mínimo visa garantir que o candidato tenha tempo suficiente para planejar e concluir o texto.
6. Uso excessivo de idioma estrangeiro – Palavras ou expressões em outro idioma não anulam a redação, a menos que predominem no texto. Cunha afirma que o Inep não fixa porcentagem ou número de frases, mas que a predominância pode levar à anulação. O uso pontual de um termo estrangeiro é aceitável, desde que a produção permaneça em português.
7. Assinatura no espaço errado – Colocar a assinatura em local inadequado, como dentro do corpo do texto ou em margem não prevista, pode ser considerado desrespeito ao formato e resultar em perda de pontos.
8. Escrever poucas linhas – Além do critério de sete linhas, redigir um texto muito curto pode impedir a avaliação completa dos critérios de coerência, coesão e intervenção, levando à nota zero.
9. Inserir conteúdo totalmente alheio ao tema – Exemplos como "A dor devastadora da perda de Camila, a minha filha", "Há quem esteja sorrindo entre os aliados de Flávio", "É possível vivermos em um Brasil sem a Meta?" ou "Quem estava com Flávio na noite da derrota" são trechos que não guardam relação com a proposta e, se incluídos deliberadamente, podem zerar a redação.
Além desses pontos, Canella recomenda que o candidato controle o tempo dedicado à redação para evitar que o texto fique incompleto e que evite copiar trechos da própria prova ou do caderno de questões, pois essas passagens não são contabilizadas na contagem de linhas.
Com informacoes de UOL Educação.

