ENEM 2028 terá nova matriz de referência: mudanças na redação e nas questões são debatidas
Na última quarta‑feira, em Brasília, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) promoveu uma reunião com educadores de diversas regiões do país para discutir a nova matriz de referência que será adotada no Enem a partir de 2028.
Raphael Kapa, representante da Federação Nacional de Escolas Particulares (Fenep) e coordenador do Colégio Andrews, apresentou a proposta de incluir textos de 20, 10 e 5 linhas, distribuídos entre as áreas de Linguagens, Ciências Humanas, Ciências da Natureza e Matemática. Ele também sugeriu a avaliação de gêneros textuais distintos, que não ficariam necessariamente vinculados a uma área específica, com o objetivo de ampliar as habilidades avaliadas.
Na proposta, a redação deixaria de ser um texto único a partir de um tema definido e poderia aparecer em diferentes momentos da prova, exigindo que o estudante adapte sua argumentação ao gênero, ao interlocutor e à finalidade de cada texto. Entre os exemplos citados pelos educadores estão cartas de reclamação, artigos de opinião, editoriais, manifestos, discursos públicos e resenhas críticas. Ainda não há definição sobre o formato final adotado.
Filipe Couto, professor e diretor pedagógico do Colégio pH, destacou que a mudança trará maior clareza para professores e estudantes sobre as habilidades que precisarão ser estudadas. Ele ressaltou ainda que o modelo testlet, iniciado em testes realizados no ano passado, permite que o candidato não tenha que “mutilar” um texto, ou seja, não será necessário trabalhar apenas com fragmentos de texto nas questões, reduzindo o desgaste ao longo da prova.
Raphael Kapa relacionou a proposta à necessidade de ampliar as condições de interpretação de textos, afirmando que o objetivo é oferecer aos candidatos uma dimensão mais completa do material. No Enem de 2025, os textos utilizados na prova de Linguagens já não foram cortados, indicando uma tendência de preservação integral dos textos.
Os dados do PISA 2025, divulgados recentemente, apontam que 49% dos alunos brasileiros de 15 anos atingiram pelo menos o nível 2 de proficiência em leitura, considerado o patamar mínimo. Pouco mais da metade dos estudantes ficou abaixo desse nível; entre os mais pobres, 67% não alcançaram o patamar, enquanto entre os mais ricos, 26% ficaram abaixo.
A revisão da redação integra uma reformulação mais ampla. O Inep pretende alinhar o exame à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e à atual política para o ensino médio, padronizando as quatro grandes áreas do conhecimento em quatro competências cada. A reorganização será implementada gradualmente até 2032, com a descrição das competências por verbos de comando como identificar, analisar e avaliar, a fim de tornar explícita a operação intelectual exigida dos estudantes.
Outra frente de mudança envolve as áreas de Matemática e Ciências da Natureza, que poderão receber competências transversais relacionadas a conhecimentos e manifestações das matrizes africanas e indígenas. Segundo Couto, “hoje existe uma lei que torna obrigatória, no ensino da educação básica, a abordagem das matrizes africanas e indígenas. Se decidimos como sociedade que isso é importante, então tem que aparecer no Enem também.” Ele exemplificou que, em Matemática, os alunos poderão analisar saberes matemáticos provenientes dessas matrizes, e, nas Ciências da Natureza, poderão analisar a contribuição desses saberes para a construção do conhecimento científico e tecnológico.
Com informacoes de O GLOBO.

