Embrapa orienta agro brasileiro a enfrentar riscos do El Niño em todas as regiões

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 06/10/2026 18:20
Embrapa orienta agro brasileiro a enfrentar riscos do El Niño em todas as regiões

Foto: via CNN Brasil

A Embrapa publicou um conjunto de recomendações detalhadas para que o setor agropecuário brasileiro se prepare diante das condições climáticas previstas para o próximo El Niño, destacando a necessidade de ajustar plantio, manejo de água e solo conforme o cenário de cada região.

Entre as principais ações sugeridas estão a adoção do Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático), a escolha de cultivares adaptadas, o escalonamento da semeadura e o planejamento de reservas de água e forragem. A instituição reforça a importância de monitorar continuamente as previsões climáticas, usar informações oficiais e manter estruturas de água, solo e alimentação animal em condições adequadas. As recomendações fazem parte de um trabalho que reúne 163 medidas elaboradas no âmbito do Grupo de Trabalho sobre o El Niño, criado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, com a participação de cerca de 50 profissionais da Embrapa e especialistas do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia).

No Centro‑Oeste – especificamente em Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal – o principal risco identificado é a escassez de chuvas. A Embrapa projeta atraso e irregularidade das precipitações na primavera, seguidos por volumes abaixo da média, veranicos e ondas de calor no verão. O período mais crítico para a seca está estimado entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Para soja e milho, a orientação inclui seguir as janelas de plantio do Zarc, utilizar cultivares com melhor desempenho sob seca e calor, escalonar a semeadura e manter a cobertura do solo. Caso o plantio da soja sofra atraso significativo, recomenda‑se reavaliar a implantação do milho segunda safra, considerando sorgo ou milheto como alternativas de menor custo e risco. No algodão, a recomendação é evitar a semeadura tardia e priorizar cultivares mais precoces conforme a janela de plantio avança. Para a pecuária, a Embrapa indica ajustar a lotação dos animais à capacidade das pastagens, manter reservas de forragem e garantir disponibilidade de água e sombra.

No Semiárido, a estratégia central é antecipar a formação de reservas hídricas. A previsão indica maior probabilidade de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas no último quadrimestre de 2026, aumentando o risco de déficit hídrico, ondas de calor e queimadas, com os efeitos mais importantes sobre a produção esperados no início de 2027. As recomendações incluem ampliar a captação e o armazenamento de água por meio de cisternas, barreiros‑trincheira, barragens subterrâneas, captação de chuva e sistemas de reuso. Para as lavouras, a orientação é seguir o Zarc, escolher espécies e cultivares adaptadas e escalonar as atividades; em áreas de maior risco para o milho, o sorgo pode ser uma alternativa. Na pecuária, a instituição recomenda formar reservas de forragem, manter bancos de palma‑forrageira e ajustar a quantidade de animais à capacidade de suporte da propriedade.

No Norte, a Embrapa prevê redução e maior irregularidade das chuvas, elevação das temperaturas e diminuição dos níveis dos rios. Os impactos podem se intensificar entre o fim de 2026 e o início de 2027, afetando não só a produção agropecuária, mas também a navegação, o transporte e o abastecimento de água. Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima devem concentrar os déficits hídricos mais severos; em Roraima, a Embrapa estima perdas de 30 % a 50 % na safra de 2026. A queda do nível dos rios pode comprometer o transporte de insumos e alimentos e o abastecimento de água. No Amazonas, há riscos para a agricultura de várzea, pesca e aquicultura. Nos estados do Pará e Amapá, a redução da água doce pode aumentar o risco de intrusão salina em canais de captação. A orientação geral para a região é priorizar a disponibilidade de água nas decisões de manejo, utilizando cultivares adaptadas, conservando a umidade do solo, armazenando água e adotando irrigação localizada.

No Sudeste, o cenário apresenta maior heterogeneidade. São Paulo, Rio de Janeiro e o centro‑sul de Minas Gerais podem registrar chuvas acima da média entre outubro e dezembro, enquanto o norte de Minas, o norte do Espírito Santo e o norte fluminense tendem a condições mais secas. As temperaturas devem ficar acima da média em toda a região. Para o café, a Embrapa recomenda atenção especial às fases de floração e enchimento dos grãos, previstas para o fim de 2026 e início de 2027, enfatizando a conservação da umidade do solo e a adoção de práticas que aumentem a capacidade das lavouras de enfrentar déficit hídrico e calor. Para soja e milho, a instituição orienta seguir as janelas do Zarc e utilizar tecnologias voltadas à tolerância ao estresse hídrico; no milho, destaca o Sistema Antecipe Soja‑Milho, que pode antecipar a implantação da cultura em até 20 dias.

No Sul, a Embrapa também está preparando recomendações específicas, porém o conteúdo detalhado ainda não foi divulgado integralmente na fonte consultada.

Com informacoes de CNN Brasil.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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