Eleições 2026: IA nas campanhas, riscos de desinformação e orientações para identificar conteúdos falsos

Por Rui Barbosa Oliveira em Rio Verde, GO 18/08/2026 05:45
Eleições 2026: IA nas campanhas, riscos de desinformação e orientações para identificar conteúdos falsos

Foto: Mark Schiefelbein/AP

A inteligência artificial está sendo apontada como uma das principais ferramentas que partidos e candidatos poderão empregar nas eleições de 2026, segundo informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que já definiu normas específicas para seu uso durante o período de campanha.

Os dados deixados pelos internautas – comentários, reclamações, debates sobre serviços públicos e interações com candidatos – constituem um reservatório valioso para as estratégias políticas. Com o apoio da IA, a coleta e a análise desses elementos podem ser realizadas em escala e velocidade muito superiores.

De acordo com o pesquisador de inteligência artificial e professor da PUC‑SP, Diogo Cortiz, a tecnologia tem a capacidade de agregar e examinar milhares de conteúdos em poucos segundos, permitindo que candidatos compreendam com mais precisão demandas e expectativas da população. “Ela possibilita uma busca ampla de informações, indicadores e dados. Para um político que deseja conhecer melhor uma realidade, isso representa um benefício considerável”, declarou.

Cortiz ainda avaliou que a IA terá papel decisivo nas eleições de 2026, comparando seu impacto ao das redes sociais em 2018 e dos vídeos curtos posteriormente. “Sem dúvida, a inteligência artificial será uma das grandes definidoras da eleição de 2026”, afirmou.

Além da análise de informações, a IA pode reduzir custos de produção de peças de campanha. O professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Flávio Ferrari, especializado em reputação digital, demonstrou que plataformas gratuitas conseguem gerar materiais em poucos segundos. “Apertei o botão. Trinta segundos depois, já estava o banner pronto, criado por uma inteligência artificial gratuita”, explicou.

Entretanto, o uso inadequado da tecnologia pode elevar a desinformação a um novo patamar, sobretudo por meio de deepfakes – conteúdos sintéticos gerados ou alterados digitalmente para simular situações inexistentes. Essa prática permite inserir pessoas em locais onde nunca estiveram, modificar vozes ou produzir vídeos totalmente falsos.

Anderson Rocha, coordenador do Laboratório de Inteligência Artificial da Unicamp, alertou que as falsificações estão cada vez mais realistas e, em alguns casos, só podem ser detectadas com auxílio de sistemas especializados. “A primeira medida é desconfiar, observar indícios de sombra e iluminação ou recorrer a uma agência de checagem de fatos”, orientou.

O laboratório da Unicamp analisou mais de uma centena de casos de manipulação digital. Entre eles, destacou um vídeo falsificado do ex‑presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy, que morreu em 1963. O pesquisador Mateus Vicente explicou que a IA gerou o material a partir do zero, alimentada com conteúdos anteriores, produzindo um vídeo totalmente inexistente. “A IA criou isso do nada. Ele nunca disse nem fez aquilo”, disse.

Uma pesquisa de opinião revelou que 71,6% dos brasileiros acreditam que a inteligência artificial pode ser usada para manipular eleitores, enquanto apenas 45,3% afirmam conseguir identificar conteúdos produzidos artificialmente. Em entrevistas, diversas pessoas relataram dificuldade em distinguir o real do fabricado. Uma entrevistada comentou: “Já achei algumas vezes que era de verdade”. Outro afirmou: “Para mim é muito difícil perceber o que é uma imagem de câmera e o que não é”. Um terceiro acrescentou que, mesmo suspeitando da autenticidade, nem sempre tem certeza.

José Antonio Encinas Manfré, presidente do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE‑SP), ressaltou que o desafio consiste em garantir que a tecnologia sirva à democracia. “Esperamos que a inteligência artificial e as novas tecnologias atuem em serviço da democracia, do esclarecimento e da informação”, declarou.

O TSE, por sua vez, publicou regras específicas que disciplinam a utilização da inteligência artificial nas campanhas, buscando equilibrar o potencial inovador da ferramenta com a necessidade de coibir a propagação de informações falsas.

Com informacoes de G1 Política.

Rui Barbosa Oliveira

Sobre o Autor: Rui Barbosa Oliveira

Rui é a cobertura política do MOTNAF.NEWS com o pé firme na imparcialidade. Congresso, STF, Palácio do Planalto, decisões de governo, votações e o que muda de fato na vida do brasileiro. Ele explica os dois lados, traz o contexto e se apoia em fatos, sem opinião e sem tomar partido. E antes de publicar, confere a notícia nos maiores sites de política para não errar. Política séria, sem grito e sem torcida.