Eleição presidencial de 2026 tem recorde de chapas puro-sangue

Por Rui Barbosa Oliveira em Rio Verde, GO 08/08/2026 06:35
Eleição presidencial de 2026 tem recorde de chapas puro-sangue

Foto: Chris Pizzello/AP

A eleição presidencial de 2026 terá a maior proporção de chapas puro-sangue desde a redemocratização, com 12 das 13 candidaturas tendo presidente e vice do mesmo partido. Isso significa que 92% das candidaturas são formadas por dois integrantes filiados à mesma sigla, o maior percentual desde a eleição em 1989.

Na primeira eleição disputada após a ditadura militar, 19 das 22 chapas (83%) eram formadas por um candidato a presidente e outro a vice filiados ao mesmo partido. Antes de 2026, a maior marca de chapas puro-sangue registrada até então ocorreu em 2014, quando 10 das 11 candidaturas registradas à época eram formadas por dois integrantes de mesma sigla.

A única chapa formada por partidos diferentes é a de Lula (PT) e Geraldo Alckmin (PSB), enquanto candidatos como Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) têm vices de outros partidos. Esse cenário é semelhante ao que já mostramos anteriormente, quando a União Brasil confirmou a neutralidade do partido em relação à eleição presidencial e o partido dos Republicanos rejeitou aliança com Flávio Bolsonaro e decidiu ficar neutro na eleição.

Cientistas políticos consultados explicam que entre os fatores que contribuem para essa situação estão a prioridade dada pelos partidos às eleições para o Congresso, a neutralidade de grandes partidos e a fragmentação das candidaturas de direita. O professor titular aposentado do Departamento de Ciência Política da UFMG, Carlos Ranulfo, cita o caso de opção pela neutralidade adotada pela maioria dos diretórios de PP, Republicanos, MDB, União Brasil e do próprio PSD, que possui candidatura própria à Presidência.

A decisão de um partido não se aliar a um presidenciável inclui o financiamento das campanhas, como detalha Claudio Couto, cientista político da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Além disso, a chance maior de formar chapas fortes em cada estado com um ou outro presidenciável e estar em uma boa composição em futuros governos eleitos também é um fator importante.

Com informacoes de G1 Política.

Rui Barbosa Oliveira

Sobre o Autor: Rui Barbosa Oliveira

Rui é a cobertura política do MOTNAF.NEWS com o pé firme na imparcialidade. Congresso, STF, Palácio do Planalto, decisões de governo, votações e o que muda de fato na vida do brasileiro. Ele explica os dois lados, traz o contexto e se apoia em fatos, sem opinião e sem tomar partido. E antes de publicar, confere a notícia nos maiores sites de política para não errar. Política séria, sem grito e sem torcida.