Eleição 2025: efeito do prestígio de Lula e escândalos envolvendo filhos de candidatos
Cenário eleitoral brasileiro permanece praticamente estático desde março, com a campanha ainda em fase incipiente.
Segundo levantamento do Datafolha, a diferença de votação entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) não apresentou o aperto esperado; rumores de pesquisas de partidos e análises de mercado que circulavam na sexta‑feira passada não se confirmaram.
Em eleições apertadas, escândalos ou manipulações podem mudar o jogo, mas as pesquisas indicam que apenas cerca de 3% do eleitorado se deslocou por causa desses fatores até o momento.
Desde maio, a intenção de voto para o segundo turno entre Lula e Flávio praticamente não se alterou; o movimento tem sido mínimo desde março.
No segundo turno, um segmento antillulista mantém cerca de 40% dos votos.
Em votos válidos de segundo turno, Lula registra 52% e Flávio 48%.
Adicionalmente, 35% dos eleitores de Flávio afirmam votar nele para impedir a vitória de outro candidato, enquanto 23% dos eleitores de Lula fazem o mesmo.
Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldades junto ao eleitorado feminino e não possui vantagem no Sudeste; Lula, por sua vez, tem resistência na chamada "classe média", definida como renda de dois a cinco salários mínimos.
A popularidade de Lula está em queda (vermelho) desde o início de 2025, embora apresente flutuações relevantes em contextos de eleição apertada.
No segundo turno, a votação de Lula supera em 10 a 18 pontos sua avaliação de "ótimo/bom" nas principais categorias de eleitores (sexo, renda, região, religião).
Na virada de 2024 para 2025, o prestígio de Lula sofreu impacto devido a eventos como pânico financeiro (dólar a R$ 6), alta acentuada da inflação de alimentos e alegações da direita de que Lula cobraria imposto sobre o Pix.
Variações no endividamento das famílias não parecem correlacionadas com as oscilações do prestígio de Lula, dificultando a identificação de fatores pontuais de descontentamento.
Observa‑se pouca atenção ao potencial de Lula melhorar sua imagem quando a campanha se intensificar.
Investigações sobre Fábio Luiz Lula da Silva (conhecido como Lulinha) e sobre recursos financeiros supostamente manejados por Marco Aurélio Santana Ribeiro, apelidado de Marcola, que atuou como chefe de gabinete de Lula, geraram expectativas de impacto negativo, porém o chamado "pinga‑pinga" não envolveu diretamente o presidente.
Grupos financeiros e partidários que apoiam Flávio Bolsonaro (apelidado de Bolsonarinho) demonstram pouca preocupação com escândalos, já que a ficha corrida do candidato foi oficialmente encerrada nos inquéritos anulados por irregularidades processuais.
Casos como furtos de erário, funcionários fantasmas, ganhos imobiliários em Copacabana e a operação de uma loja de chocolates, que envolveram Flávio Bolsonaro, apresentam montantes financeiros superiores aos escândalos ligados a Lula.
Bolsonarinho ainda não esclareceu a destinação dos recursos solicitados a Daniel Vorcaro, integrante de um grupo político golpista no Rio de Janeiro associado a crimes de poder.
Em síntese, os filhos de figuras políticas continuam a representar "business as usual" nas elites do sistema, ampliando práticas de lobbying, nepotismo e familismo.
Com informacoes de Folha de S.Paulo.

