Desconfiança entre Andrei e Mendonça marca investigações do STF

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 07/08/2026 06:00
Desconfiança entre Andrei e Mendonça marca investigações do STF

Foto: via G1

A nota pública que os 27 superintendentes da Polícia Federal assinaram em apoio ao diretor-geral, Andrei Rodrigues, é o capítulo mais recente de uma série de episódios de desconfiança recíproca entre o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o comando da PF.

O primeiro episódio veio a público assim que Mendonça assumiu a relatoria dos inquéritos do Banco Master, em fevereiro deste ano, no lugar do ministro Dias Toffoli. Naquele momento, havia dúvidas sobre o tratamento que a polícia deveria dar ao material apreendido, especialmente o celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Toffoli determinou que as provas ficassem guardadas na Procuradoria-Geral da República (PGR), e não na PF; indicou os nomes dos peritos que deveriam atuar no caso; encurtou o prazo da apuração; e chegou a formular as perguntas que deveriam ser feitas a investigados. Sob críticas dos policiais, que apontaram interferência indevida, Toffoli acabou deixando a relatoria do Master depois que Andrei entregou ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatório que mostrava que ele era citado nas mensagens que foram identificadas nos celulares apreendidos de Daniel Vorcaro.

Desde a primeira decisão de Mendonça no caso Master, Andrei vinha classificando a ordem do ministro como desnecessária, sustentando, nos bastidores, que não interfere no trabalho de seus subordinados. De fevereiro para cá, outras decisões de Mendonça trouxeram trechos que foram vistos como recados para a PF, tanto nas investigações sobre o Master como — e principalmente — no caso das fraudes no INSS, também sob relatoria do magistrado.

O exemplo mais recente está na decisão que autorizou a corporação a realizar busca e apreensão no escritório do advogado Willer Tomaz, na última terça-feira (4). A PF pediu a medida por suspeitar que Tomaz tenha atuado na lavagem de dinheiro do senador Weverton Rocha (PDT-MA), um dos principais investigados na Operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS.

Em outro episódio, na semana passada, Mendonça retirou o sigilo da investigação da PF sobre o senador Jaques Wagner (PT-BA). O ex-líder do governo no Senado é suspeito de ter recebido propina de um ex-sócio do Master, Augusto Lima. Em uma decisão tornada pública, o ministro levantou suspeitas de que informações sobre as investigações foram repassadas para o senador.

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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