Crise no STF e disputa entre Flávio Dino e André Mendonça podem repercutir nas eleições

Por Rui Barbosa Oliveira em Rio Verde, GO 28/09/2026 12:07
Crise no STF e disputa entre Flávio Dino e André Mendonça podem repercutir nas eleições

Foto: Caitlin Ochs/REUTERS

Na manhã da segunda-feira, 28 de setembro, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, recebeu os ministros Kassio Nunes Marques, André Mendonça e Dias Toffoli, que compõem a turma titular da Corte Eleitoral, em encontro cuja pauta não constará da agenda oficial.

A reunião ocorre em meio a uma crise institucional entre membros do STF e a preocupação de que eventuais desdobramentos possam influenciar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas vésperas das eleições. Segundo fontes próximas, aliados do ministro Alexandre de Moraes estariam tentando transferir a crise do Supremo para o Tribunal Eleitoral, movimento que teria se iniciado após declarações públicas do ministro Gilmar Mendes acerca da atuação do TSE e do papel da Corte nos processos eleitorais.

No último fim de semana, o ministro André Mendonça determinou a retirada do ar de publicação do colunista Antônio Tabet, que abordava a polêmica sobre um projeto legislativo que buscaria retirar o título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. Em resposta, o ministro Flávio Dino, do Supremo, revogou a decisão de Mendonça, permitindo que o conteúdo permanecesse disponível.

O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL, afirmou que participará do debate na Globo e que pretende enfrentar o ex‑presidente Lula. Bolsonaro também alegou ser vítima de campanha de fake news, acusando o PT e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de estarem por trás da informação falsa. A CNBB rebateu a acusação, declarando que “mentira não se combate com mentira”.

O conflito tem repercussão mais acentuada entre eleitores católicos do que entre evangélicos. Em entrevista, Flávio Dino justificou a revogação da medida de Mendonça, afirmando que a decisão do colega “feriu a liberdade dos eleitores de cobrarem de candidatos suas posições políticas” e alertou que outros afetados poderiam solicitar extensão da medida. O ministro ainda comentou que o humorista Antônio Tebet não chegou a citar o nome de Flávio Bolsonaro, mas sugeriu que “a família miliciana odeia tanto mulher preta que resolve atacar Nossa Senhora Aparecida”, fazendo referência indireta ao candidato Bolsonaro.

Não se trata da primeira vez que o STF se envolve em questões eleitorais, conforme já relatado em cobertura anterior do portal. Por exemplo, o ministro Gilmar Mendes decidiu que o reajuste do Bolsa Família não interfere na legislação eleitoral, antecipando a decisão que o ministro André Mendonça deveria proferir em ação movida pelo partido Novo contra o referido reajuste. Outro ponto de atrito ocorreu quando o ministro Alexandre de Moraes solicitou explicações ao PL e a Flávio Bolsonaro sobre o uso de inteligência artificial durante a convenção do partido, com o relator do caso no TSE sendo o presidente da Corte Eleitoral, Kassio Nunes Marques.

Adicionalmente, Gilmar Mendes enviou alerta direto aos ministros do TSE indicados por Bolsonaro, Kassio Nunes Marques e André Mendonça, recomendando que não tomem decisões de natureza política e advertindo que o STF poderia atuar como casa revisora do TSE caso tais orientações sejam desrespeitadas.

O conjunto de disputas entre os ministros do STF e da Corte Eleitoral evidencia uma tensão institucional que, segundo analistas, pode influenciar o cenário eleitoral, sobretudo nas decisões que envolvem temas sensíveis como a identidade religiosa nacional e a regulamentação de campanhas políticas.

Com informacoes de G1 Política.

Rui Barbosa Oliveira

Sobre o Autor: Rui Barbosa Oliveira

Rui é a cobertura política do MOTNAF.NEWS com o pé firme na imparcialidade. Congresso, STF, Palácio do Planalto, decisões de governo, votações e o que muda de fato na vida do brasileiro. Ele explica os dois lados, traz o contexto e se apoia em fatos, sem opinião e sem tomar partido. E antes de publicar, confere a notícia nos maiores sites de política para não errar. Política séria, sem grito e sem torcida.