Corpos encontrados no Haiti podem ser de soldados de El Salvador, diz jornal
Médicos examinaram restos mortais carbonizados encontrados no sábado (24) para determinar se pertencem a quatro militares salvadorenhos que desapareceram após serem enviados ao Haiti em uma missão internacional de combate às gangues, segundo quatro pessoas próximas à operação.
Os restos foram localizados seis dias depois de os homens sofrerem uma emboscada enquanto atravessavam de carro um reduto de gangues, de acordo com Scott Reece, ex-funcionário de segurança do Departamento de Estado dos Estados Unidos, cuja organização de ajuda humanitária recuperou os corpos. O grupo local de Reece, o Hero Client Rescue, serviço de ajuda médica financiado pelos Estados Unidos e sediado no Haiti, foi acionado na tarde de sábado para recolher os restos.
Três pessoas familiarizadas com a situação, que não estavam autorizadas a falar publicamente, confirmaram que os corpos estavam gravemente carbonizados e não eram facilmente identificáveis.
Nayib Bukele, presidente de El Salvador, negou que os corpos fossem dos soldados desaparecidos. Poucos dias antes, ele havia enviado centenas de integrantes das forças especiais ao Haiti para tentar resgatar os homens e havia ameaçado acabar de vez com as gangues caso eles não fossem devolvidos com vida.
Em uma publicação nas redes sociais na noite de sábado, em resposta a uma reportagem do The New York Times sobre a descoberta, Bukele confirmou que uma organização sem fins lucrativos havia entregado restos mortais humanos no aeroporto, afirmando que pertenceriam aos quatro técnicos da Força Aérea salvadorenha. "No entanto, os restos mortais correspondem a uma criança, a um homem de altura consideravelmente superior à de nossos técnicos da Força Aérea e a uma pessoa que vestia parte do uniforme de um exército que não é o nosso. Entre os restos, também foram encontrados documentos de identidade e uniformes militares de outros países", disse.
Ele publicou o documento de identificação de um soldado do Chade. Uma pessoa informada sobre a situação afirmou que o documento pertencia a um integrante do contingente chadiano da Força de Repressão às Gangues, ferido em campo, que teria perdido o documento.
Os quatro salvadorenhos faziam parte de uma unidade de helicópteros designada para a Força de Repressão às Gangues, missão apoiada pelo Conselho de Segurança da ONU para combater os grupos armados do Haiti. Foi a primeira vez que a força sofreu baixas fatais, episódio que ameaçava intensificar drasticamente a violência à medida que mais tropas eram enviadas para localizá-los.
Os militares salvadorenhos informaram que os homens atravessavam a região de Croix-des-Bouquets, perto de Porto Príncipe, em um utilitário esportivo blindado (SUV), no último domingo, quando foram alvejados e tiveram de abandonar o veículo, que posteriormente foi encontrado queimado.
Com informacoes de Folha de S.Paulo.

