Consumidores holandeses movem ação coletiva contra Epic Games por pressão psicológica em Fortnite e pedem mais de €100 milhões
Um coletivo de defesa do consumidor na Holanda, representado pela Stichting Massaschade & Consument (SMC), entrou com ação judicial contra a Epic Games, proprietária do Fortnite, requerendo mais de €100 milhões (cerca de US$ 113,8 milhões) em reembolsos e compensações. A entidade alega que a empresa utilizou técnicas de pressão psicológica para induzir jogadores menores de 21 anos a efetuarem compras com dinheiro real dentro do jogo, além de ter coletado dados pessoais de crianças sem a autorização dos responsáveis.
A demanda está estruturada em duas frentes distintas: a primeira busca reembolso e compensação por aquisições consideradas indevidas na loja do jogo; a segunda pleiteia indenização por violação da proteção de dados infantis, com base no GDPR, a legislação europeia de privacidade.
De acordo com a SMC, a Epic projetou deliberadamente o Item Shop de Fortnite para gerar urgência artificial, empregando avisos como “compre agora” e contadores regressivos que dão a impressão de que a oferta desaparecerá a qualquer momento.
Em pesquisa realizada pela própria fundação com mais de 1.000 adolescentes holandeses entre 16 e 19 anos, seis em cada dez compradores de moedas virtuais, como os V‑Bucks, relataram que a compra não parecia envolver dinheiro real. Metade dos entrevistados admitiu ter se arrependido de uma compra feita sob pressão de tempo, reforçando a tese de que a moeda virtual desconecta a criança da noção de valor monetário.
A ação ganha força a partir de decisão judicial pré‑existente. Em 2024, a Autoridade de Consumidores e Mercados dos Países Baixos (ACM) multou a Epic em €1.125.000 por práticas comerciais desleais direcionadas a menores, dividindo a penalidade em duas partes iguais: uma por usar frases de urgência como “compre agora” e outra por exibir contadores regressivos que sugeriam falsamente que os itens desapareceriam em breve. A Epic recorreu, mas perdeu, e em janeiro de 2026 um tribunal de Roterdã manteve a decisão da ACM.
Lucia Melcherts, presidente da SMC, declarou que o objetivo não é retirar o Fortnite do ar, mas obrigar a empresa a devolver o dinheiro aos jogadores prejudicados. Ela ressaltou que o regulador holandês já apontou a irregularidade e que a justiça confirmou a condenação, tornando a compensação o próximo passo lógico.
Vale lembrar que este não é o primeiro caso de grande repercussão envolvendo a Epic nesse tema. Em 2022, a empresa chegou a um acordo com a Federal Trade Commission (FTC) dos Estados Unidos, pagando US$ 520 milhões para encerrar duas denúncias: uma sobre violação de leis de privacidade infantil e outra sobre o uso de “dark patterns”, mecanismos de design que induzem compras não intencionais.
A Epic, por meio de seu porta‑voz, afirmou que disponibiliza ferramentas de controle parental que permitem aos responsáveis limitar compras e tempo de jogo dos filhos, e que está disposta a negociar um acordo coletivo antes de qualquer disputa judicial.
Um desfecho desfavorável à Epic na Holanda pode criar precedente e estimular ações semelhantes em outros países da União Europeia, dado o alcance global do Fortnite entre o público jovem. A notícia surge pouco depois de outras matérias do portal que abordaram a Epic, como a promoção de até 80% de desconto em títulos da 505 Games na Epic Games Store, reforçando o contínuo interesse do público em questões relacionadas ao gigante dos games.
Com informacoes de Arkade.

