Compra de mansão de R$ 95 milhões por família de Neymar gera disputa judicial de R$ 58,9 milhões
O empresário Neymar da Silva Santos, pai e agente do atacante Neymar, foi acionado na Justiça de São Paulo em uma ação no valor de R$ 58,9 milhões, relacionada à compra de uma mansão no bairro Tamboré, em Santana de Parnaíba (SP).
A vendedora, empresa D.Y.T.T. Administradora de Imóveis, declarou que não aceitará mais a casa situada em Alphaville, pertencente à família do atleta, como parte do pagamento, apesar de a propriedade estar avaliada em mais de R$ 32 milhões.
A administradora já teve um pedido de liminar para suspender a transação, mas o pedido foi negado; a empresa buscava impedir a entrega da mansão e a outorga da escritura até a solução do litígio.
Segundo a D.Y.T.T., a recusa baseia‑se em supostas irregularidades no imóvel de Alphaville, que precisaria de obras para atender às normas do condomínio.
O contrato de compra da mansão, fechado em maio de 2025, descreve o imóvel como “inteiramente livre e desembaraçado de quaisquer ônus ou responsabilidades”. O bem possui 2.757 m² construídos, piscina, dois elevadores e até pista de boliche. O preço anunciado foi de R$ 95 milhões, posteriormente ajustado para R$ 94,5 milhões.
Do total, R$ 17,5 milhões foram pagos na assinatura e R$ 32 milhões – cerca de um terço do valor – deveriam ser quitados mediante a entrega da casa de Alphaville; o restante ficaria a ser pago em dinheiro.
A casa de Alphaville tem sido alvo de processo desde 2021, movido pela Associação Residencial Alphaville 2. Em 2023, a Justiça determinou que o pai de Neymar realizasse adequações ao imóvel, apontando irregularidades como altura de 10,90 m (acima do limite de 10 m), taxa de ocupação superior ao permitido, pergolado em área de recuo e construção de um segundo pavimento não autorizado.
A sentença reconheceu que as irregularidades se originaram com o antigo proprietário, mas exigiu que o empresário as corrigisse. O Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a decisão, e há recurso no Superior Tribunal de Justiça desde outubro de 2024, após tentativa de acordo que não prosperou.
Na ação, o pai de Neymar alegou ser vítima, afirmando que adquiriu a casa pronta e sem conhecimento das irregularidades, e requereu a inclusão dos antigos proprietários no processo. Antes de aceitar a casa como pagamento, a D.Y.T.T. assinou declaração reconhecendo ciência do processo em Alphaville.
A administradora sustenta que o empresário não cumpriu a obrigação de entregar a casa regularizada e recusa a proposta de substituí‑la por pagamento em dinheiro. A D.Y.T.T. pede que a parcela de R$ 32 milhões seja convertida em dinheiro, acrescida de multa e juros, além de indenização de 20 % do valor total do negócio (R$ 18,9 milhões) e devolução de aproximadamente R$ 1,8 milhão para concluir obras na mansão.
Em caráter de urgência, a empresa requer que a transferência da escritura da mansão em Tamboré seja impedida até que a controvérsia seja resolvida.
A família de Neymar ainda não foi notificada para se defender no processo. Em contranotificação enviada em agosto, o advogado de Neymar pai qualificou o pedido de troca por dinheiro como “pretensão absurda, despropositada e desproporcional”, ressaltando que a vendedora tinha conhecimento do litígio em Alphaville e reiterou a aceitação do pagamento em diferentes versões contratuais.
Em e‑mail datado de 23 de outubro, o mesmo advogado afirmou que a cessão da casa como pagamento foi pactuada livremente, sem qualquer condicionamento à solução da ação.
A assessoria de imprensa do empresário, ao ser consultada, declarou desconhecimento do assunto e se absteve de comentar eventuais processos judiciais.
Com informacoes de UOL.

