Citi avalia que rendimento de 10 anos acima de 5% não ameaça bolsa
Os títulos do Tesouro dos Estados Unidos permanecem em patamares elevados, concentrando as preocupações dos investidores sobre a trajetória dos juros na maior economia do mundo, em meio a incertezas geopolíticas, pressão inflacionária e a proximidade das eleições de meio de mandato.
Na quarta‑feira, 16 de setembro, o rendimento do título de 10 anos – referência para empréstimos imobiliários – voltou a ultrapassar a marca de 5% logo após o Federal Reserve elevar a taxa de juros pela primeira vez desde julho de 2023. No dia seguinte, o yield recuou um pouco, mas manteve‑se próximo ao nível psicológico de 5%.
Segundo os estrategistas do Citi, as ações conseguem absorver melhor rendimentos mais altos dos Treasuries quando o crescimento econômico demonstra resiliência e a desaceleração da inflação colabora. “Examinamos vendas anteriores de títulos americanos semelhantes à atual, observando um aumento de 50 pontos‑base em um período de três meses. Constatamos que altas acentuadas nos rendimentos dos títulos de 10 anos não são universalmente negativas para as ações”, afirmam.
Os analistas ainda destacam que a desaceleração da atividade industrial nos EUA, mesmo com os yields em máximas históricas, pode ser vista como um fator favorável ao mercado acionário. Contudo, o cenário geopolítico, que tende a elevar os riscos inflacionários, “pinta um quadro um tanto cauteloso”.
Os preços do petróleo continuam sendo determinantes para a curva de juros no curto prazo. “Preços mais altos do petróleo provavelmente implicariam curvas mais achatadas, enquanto preços mais baixos levariam a curvas mais inclinadas. Uma desescalada no conflito entre EUA e Irã poderia continuar sendo fundamental”, apontam os estrategistas.
Assim, embora rendimentos mais elevados não representem necessariamente um obstáculo para as ações, o Citi alerta que o contexto atual exige prudência, sobretudo diante do risco de uma inflação mais persistente provocada pela geopolítica. Não é a primeira vez que o Citi emite análises que repercutem no mercado, como já demonstrado em nossa cobertura sobre a revisão de projeções da Kepler Weber.
Com informacoes de Money Times.

