Banco do Japão eleva juros ao nível mais alto em 31 anos e indica nova fase de política monetária
Na sexta-feira, o Banco do Japão (BOJ) elevou sua taxa básica de juros de 1% para 1,25%, marcando o nível mais alto em 31 anos e o primeiro ajuste em três meses.
O presidente Kazuo Ueda, em coletiva de imprensa, afirmou que a inflação subjacente está se aproximando da meta de 2% e que a missão do banco mudou de impulsionar os preços para proteger a economia de um excesso inflacionário. “Se os riscos de a inflação subjacente ultrapassar 2% se concretizarem, isso poderá ter um impacto negativo na economia do Japão”, disse, acrescentando que é crucial estabilizar a inflação em torno desse patamar.
Ueda destacou que a fase de política monetária do BOJ mudou e que não descarta aumentos consecutivos nem elevações de 50 pontos‑base, mas enfatizou a intenção de agir preventivamente para evitar medidas drásticas que desestabilizariam os mercados financeiros.
Na reunião de dois dias que culminou na decisão, a votação foi de 7 a 2 a favor do aumento. Os membros mais dovish, Toichiro Asada e Ayano Sato, discordaram da elevação, argumentando que o BOJ deveria manter a paciência ao encarecer o crédito.
A mensagem hawkish não conseguiu valorizar o iene; ao contrário, a moeda se desvalorizou, já que investidores focaram na dissidência interna. Vasu Menon, diretor‑gerente de estratégia de investimentos do OCBC em Cingapura, avaliou que a decisão indica uma postura moderadamente hawkish no médio prazo, mas que a comunicação para o curto prazo não foi suficientemente agressiva para provocar uma reprecificação significativa do iene.
O ajuste segue a tendência de elevações de juros adotadas por bancos centrais europeus e norte‑americanos, refletindo preocupações globais com a inflação impulsionada por custos de energia – agravados pela guerra no Irã –, políticas fiscais expansionistas e a crescente demanda por investimentos em inteligência artificial.
Em comunicado, o BOJ ressaltou que a evolução econômica e dos preços está em linha com suas projeções, porém há risco de a inflação subjacente se afastar da meta de 2%. “A inflação no atacado permanece elevada e as pressões sobre os preços decorrentes do comércio entre empresas começaram a se refletir nos preços ao consumidor”, declarou o banco, acrescentando que empresas continuam repassando custos de salários mais altos e que as expectativas inflacionárias permanecem em alta.
Com o novo patamar de 1,25%, a taxa de juros se aproxima do nível que o Banco do Japão considera neutro para a economia, representando mais um passo na saída das décadas de juros ultrabaixos que consolidaram o iene como moeda de financiamento global barata.
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Com informacoes de Money Times.

