Chapa de Flávio Bolsonaro solicita cassação da candidatura de Lula e Alckmin por suposto abuso de poder no desfile da Sapucaí
A chapa composta por Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar protocolou nesta terça-feira (8) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que requer a cassação do registro da chapa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSB) e a declaração de inelegibilidade de Lula.
Segundo a defesa de Flávio Bolsonaro, a acusação se baseia em abuso de poder político, abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação social em razão do desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval de 2026, cujo enredo foi "Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil".
A petição alega que o desfile teria sido financiado com, no mínimo, R$ 9,65 milhões em recursos públicos, provenientes de repasses de órgãos federais, estaduais e municipais, e que teria havido captação privada de R$ 2,5 milhões atribuída à primeira‑dama Rosângela da Silva, informação que a própria ação indica que será aprofundada na instrução processual.
O tema já está sob apuração do Tribunal de Contas da União (TCU). Em abril, o ministro Augusto Nardes determinou a abertura de investigação para apurar possível desvio de finalidade e uso indevido da máquina pública na organização do desfile, após representação de parlamentares do Partido Novo.
Antes do Carnaval, o então ministro do TCU Aroldo Cedraz rejeitou pedido de suspensão do repasse de R$ 1 milhão da Embratur à Acadêmicos de Niterói, esclarecendo que o recurso fazia parte de acordo que destinou R$ 12 milhões às 12 escolas do Grupo Especial, com divisão igualitária de R$ 1 milhão para cada agremiação, e que não havia indícios de favorecimento pela homenagem a Lula.
A defesa também aponta reuniões de dirigentes da escola no Palácio do Planalto e no Palácio da Alvorada, agenda na Secretaria de Relações Institucionais, viagens da primeira‑dama em aeronaves da FAB e atuação de servidores da Presidência na organização de convidados para o desfile.
Segundo a ação, o conteúdo apresentado na Sapucaí extrapolou uma homenagem biográfica, contendo referências ao coro "olê, olê, olê, olá, Lula, Lula", menções ao número 13, símbolos associados ao PT, pautas que hoje integram a campanha presidencial e críticas a adversários políticos.
Lula acompanhou o desfile na Marquês de Sapucaí ao lado de ministros de Estado; a primeira‑dama, embora citada em suposta captação privada, não participou da apresentação.
Nos pedidos finais, a chapa de Flávio Bolsonaro solicita ao TSE o reconhecimento dos abusos apontados, a cassação da chapa Lula‑Alckmin e a declaração de inelegibilidade de Lula. Não é a primeira vez que a campanha de Flávio Bolsonaro recorre a medidas judiciais, como já coberto em reportagens anteriores que destacaram temores de retaliação de ministros do STF.
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Com informacoes de G1 Política.

