CEO do Bradesco aponta alta generalizada da inadimplência e ações recuam na abertura
As ações do Bradesco recuaram cerca de 2% na abertura do pregão após o executivo Noronha afirmar que a carteira de crédito do banco está protegida para um cenário macroeconômico adverso previsto para 2027. Por volta das 10h15, os papéis do banco caíam 2,23%, cotados a 19,77 reais.
Segundo o executivo, dados do Banco Central mostram um aumento generalizado da inadimplência, o que leva o banco a esperar pressão para todo o mercado no índice de inadimplência e no custo do crédito. Ele ponderou, entretanto, que o Bradesco está preparado para esse cenário, porque sua carteira apresenta um mix mais seguro do que no passado.
No acumulado de 2026 até setembro, o Bradesco reportou lucro líquido recorrente de 20,9 bilhões de reais, alta de 15,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Só no terceiro trimestre, o lucro chegou a 7,1 bilhões de reais, avanço de 15,6% na comparação com igual período de 2025.
Analistas da XP Investimentos classificaram o resultado como misto. Segundo a corretora, o avanço do indicador foi favorecido pelo controle de custos, que recuaram 1% na comparação anual. Por outro lado, o custo do crédito absorve grande parte do crescimento das receitas, o que limita o potencial de expansão da rentabilidade medida pelo Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE).
A pressão também aparece nos indicadores de qualidade do crédito. O índice de inadimplência acima de 90 dias avançou 0,5 ponto percentual em 12 meses, chegando a 4,6% ao fim do terceiro trimestre de 2026. No mesmo período, as Provisões para Devedores Duvidosos somaram 30,2 bilhões de reais, alta de 24,4% na comparação anual.
Para Noronha, o cenário deve seguir desafiador em 2027. O banco projeta crescimento de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano. Além disso, o comprometimento da renda das famílias deve permanecer elevado em um ambiente de juros altos, o que dificulta a concessão de crédito. Nesse contexto, o executivo prevê um horizonte de maior pressão no custo do crédito, com um índice de inadimplência um pouco maior, mas afirmou ter segurança de que a carteira do banco está preparada para esse quadro.
Com informacoes de VEJA.

