Carro elétrico: compra ou assinatura, qual sai mais barato em dois anos?
O contraste entre o som do motor a combustão e o silêncio dos veículos elétricos tem despertado dúvidas entre motoristas que consideram mudar de segmento. César Urnhani, piloto e especialista automotivo, apresenta em vídeo de 27 minutos e oito segundos as principais diferenças entre dirigir um carro elétrico e um a combustão, além de oferecer orientações para quem está em processo de transição.
Para quem pretende utilizar o automóvel por apenas dois anos, a escolha entre comprar um carro elétrico zero quilômetro ou contratar um modelo por assinatura vai além da simples comparação entre preço de compra e mensalidade. É preciso incluir na conta a desvalorização, os gastos com seguro e impostos, bem como o rendimento que o capital poderia gerar se permanecesse investido.
Na compra, o proprietário assume a perda de valor do veículo e arca com custos de manutenção, seguro e impostos. Em contrapartida, ele pode recuperar parte do investimento ao revender o carro ao final do período de dois anos. Na assinatura, o usuário paga uma mensalidade pelo uso do carro durante o contrato e devolve o bem ao final, não precisando vender um automóvel usado nem assumir diretamente o risco de desvalorização, mas também não fica com um bem que possa ser usado como entrada para outro veículo.
Segundo dados do IBV Auto, índice exclusivo do banco BV que acompanha a variação de preços de carros usados no país, os modelos elétricos lançados em 2023 já acumulam 46,15% de desvalorização. Os híbridos apresentam 26,85% de depreciação, percentual mais próximo dos modelos a combustão, que acumulam 21,40%.
Um exemplo prático é o BYD Dolphin Mini, o elétrico mais vendido no país. Lançado no Brasil em fevereiro de 2024 com preço de R$ 115.800, ele tinha preço de referência de R$ 99.905 em fevereiro de 2026, segundo a tabela Fipe. A diferença de R$ 15.895 corresponde a uma desvalorização de 13,7% em dois anos.
A análise da depreciação dos elétricos ainda enfrenta duas dificuldades: a tecnologia é muito recente no Brasil e está em constante evolução, e, em muitos casos, a oferta ainda é menor que a demanda, o que pode inflacionar os valores de revenda até que o mercado se estabilize.
Para calcular o custo total de um carro elétrico próprio durante dois anos, não basta subtrair o preço de revenda do valor pago na compra. É necessário incluir IPVA, licenciamento, seguro, manutenção, eventuais reparos e o custo de recarga. Caso o veículo seja financiado, juros, tarifas e demais encargos do contrato também entram na conta. Se a compra for à vista, deve‑se considerar o rendimento que deixará de ser obtido sobre o capital empregado.
Em São Paulo, usando o Dolphin Mini como referência, os valores médios projetados para 2026 indicam IPVA de R$ 4.249,24, licenciamento de R$ 174,08 e seguro estimado na média nacional de R$ 3.800. Somadas, essas despesas anuais totalizam R$ 8.223,32, sem contar custos de recarga e manutenção.
Na modalidade de assinatura, o cliente paga uma mensalidade que costuma englobar documentação, impostos, seguro e manutenção, embora a cobertura exata varie conforme a empresa e o contrato. Essa forma de uso reduz a exposição direta à desvalorização e elimina a necessidade de vender o carro ao término do período, porém o consumidor não fica com um bem para trocar por outro e deve observar limites de quilometragem, condições de devolução e possíveis cobranças por danos ou encerramento antecipado.
A previsibilidade é um dos principais atrativos da assinatura: em vez de pagar separadamente por diferentes serviços, o cliente concentra a maior parte dos gastos em uma única cobrança mensal. Contudo, isso não garante que o custo total será inferior ao da compra, pois o valor total dependerá da soma das mensalidades ao longo do contrato.
Em um plano de dois anos, uma mensalidade de R$ 4.000 resulta em R$ 96.000 ao final do período; com mensalidade de R$ 5.000, o total chega a R$ 120.000.
A franquia de quilometragem merece atenção. Os planos podem estabelecer limites mensais frequentemente entre 1.000 e 2.000 quilômetros nas referências reunidas. Quem ultrapassa a franquia pode pagar tarifa adicional por quilômetro rodado. Também é necessário verificar as regras de devolução, pois danos que excedam o desgaste considerado normal podem gerar custos extras ao cliente.
Com informacoes de Estadão.

