Boletim El Niño 2026-2027 indica 95% de chance de seca extrema no Centro-Norte e chuvas intensas no Sul do Brasil
O Painel El Niño divulgou nesta quarta‑feira (30) o Boletim nº 4, elaborado pelo INMET em parceria com o INPE, a ANA, o Cemaden, o SGB, a Sedec e o Censipam, que indica 95 % de chance de que o fenômeno atinja intensidade muito forte entre os meses de outubro e dezembro de 2026.
O documento destaca dois cenários contrastantes: intensificação da seca e do risco de incêndios na região Centro‑Norte, e aumento das precipitações com risco de cheias na região Sul, além de temperaturas acima da faixa considerada normal em quase todo o território nacional.
Segundo dados do Cemaden, o número de municípios em situação de seca extrema subiu de quatro para vinte e quatro em apenas um mês, enquanto os municípios em seca severa passaram de cento e cinquenta e três para cento e noventa e sete, com maior avanço nos estados do Amazonas, Bahia, Amapá, Alagoas e Sergipe.
Na região Nordeste, 16 % da área encontra‑se em situação de seca grave, cenário que pode piorar diante da previsão de baixa pluviosidade e temperaturas elevadas.
No Norte, a seca avançou rapidamente, especialmente em Roraima, Acre e Amazonas. Municípios enfrentam dificuldades na captação de água e na navegação, com os rios Branco e Negro apresentando níveis críticos e previsão de chuvas abaixo da média, o que pode impedir a recuperação dos cursos d’água.
A combinação de precipitação reduzida e calor intenso eleva o risco de incêndios, sobretudo nas áreas onde a vegetação está mais seca. O Cemaden projeta que, no trimestre de outubro a dezembro de 2026, as áreas críticas de fogo permanecerão concentradas na Amazônia, no Centro‑Oeste e em partes do interior do país, com risco calculado por município a partir da atividade humana e das previsões climáticas do INPE, INMET e FUNCEME.
Enquanto o Centro‑Norte lida com a estiagem, o Sul registra o cenário oposto. No Rio Grande do Sul, 122 municípios já foram afetados por chuvas volumosas que elevaram os níveis dos rios, provocando inundações, principalmente no Vale do Taquari, ao longo do rio Caí e em municípios de Santa Catarina.
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) emitiu mais de cento e noventa boletins de alerta hidrológico para a Região Sul ao longo de 2026, em resposta aos eventos de elevação dos níveis dos rios e ao risco de alagamentos.
A previsão para o trimestre outubro‑dezembro indica sinal de precipitação acima do normal no Sul, além de chuvas superiores à média em parte do Sudeste e no leste do Nordeste; entretanto, a tendência aponta para redução gradual da probabilidade de cheias no Sul até o final de dezembro.
Em termos de temperatura, a projeção aponta valores acima da faixa normal em quase todo o Brasil durante o período de maior influência do El Niño, reforçando o potencial de agravamento dos impactos climáticos.
As previsões são baseadas em modelos objetivos que combinam dados do CPTEC/INPE, INMET e FUNCEME, bem como em projeções probabilísticas da NOAA, que confirmaram o fortalecimento do El Niño no Pacífico Equatorial já em junho, condição que se mantém até o fim de setembro.
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Com informacoes de CNN Brasil.

