Boeing intensifica certificação do 777‑9 com testes extremos na Islândia e na Bolívia
A Boeing ampliou a fase de certificação do 777‑9, enviando dois protótipos para operar em condições climáticas e de altitude desafiadoras, respectivamente na Islândia e na Bolívia.
O primeiro exemplar, identificado como N779XW (registro WH001), está estacionado no Aeroporto Internacional de Keflavik desde 28 de outubro. O local, exposto aos ventos do Atlântico Norte, permite à empresa conduzir pousos e decolagens com fortes rajadas laterais. No domingo, dia 2 de novembro, a aeronave realizou dez voos locais, alguns com duração inferior a 30 minutos, simulando sequências repetidas de aproximação, toque e partida.
O segundo protótipo, N779XY (registro WH003), partiu de Seattle com destino a Sucre, na Bolívia, e seguirá para o Aeroporto Internacional de Alcantarí, situado a 3.104 metros (10.184 pés) acima do nível do mar. Em altitudes tão elevadas, a densidade reduzida do ar diminui o empuxo dos motores e altera o desempenho nas fases de decolagem e aterrissagem, tornando o local ideal para validar limites operacionais que não podem ser reproduzidos em aeroportos próximos ao nível do mar.
Este não é o primeiro teste de grande altitude realizado com o 777‑9. Em agosto de 2024, o mesmo N779XY foi deslocado para Toluca, no México, onde executou ensaios de certificação a 2.660 metros de altitude. O aeroporto de Alcantarí está aproximadamente 440 metros mais alto que Toluca, oferecendo um cenário ainda mais rigoroso.
A Airbus também utilizou a Bolívia para avaliações semelhantes. Em abril deste ano, um A321XLR realizou testes de motores, pressurização, navegação e climatização em Alcantarí, além de pousos e decolagens sucessivos, e operou ainda no Aeroporto Juan Mendoza, em Oruro.
Nos últimos meses, a campanha de certificação passou a envolver mais aeronaves. O quarto protótipo, N779XZ (registro WH004), retomou voos após um longo período de inatividade. A Boeing também incorporou aviões de produção em etapas específicas da certificação, além dos quatro protótipos dedicados ao programa. Em julho, o sétimo 777‑9 entrou em operação para voos de longo alcance e testes de funcionalidade e confiabilidade. Até então, a frota acumulou cerca de 1.700 voos e mais de 4.800 horas de voo, embora apenas cerca da metade dos testes previstos para a certificação estivesse concluída.
Entretanto, o programa ainda enfrenta desafios técnicos. O motor GE9X, desenvolvido exclusivamente para o 777X pela GE Aerospace, apresentou uma trinca em um selo intermediário, detectada durante inspeção. A GE redesenhou a peça e iniciou a entrega de motores modificados, mas a nova versão ainda aguarda aprovação da Federal Aviation Administration (FAA). Em outubro, a FAA determinou que a aprovação desse componente era condição indispensável para a emissão do certificado de tipo do 777‑9, impactando também os testes ETOPS, essenciais para autorizar operações de bimotor em rotas que mantenham a aeronave distante de aeroportos alternativos por períodos prolongados.
Um problema anterior, identificado em agosto de 2024, forçou a suspensão temporária dos voos dos protótipos após a descoberta de danos no componente responsável por transferir o empuxo dos motores para a estrutura da aeronave. O defeito foi inicialmente detectado no N779XY, o mesmo exemplar que agora segue para a Bolívia.
O 777‑9 realizou seu voo inaugural em janeiro de 2020 e estava programado para entrar em serviço ainda naquele ano. Após sucessivos atrasos no desenvolvimento e na certificação, a Boeing atualmente projeta a primeira entrega para 2027.
Com informacoes de AIRWAY.

